Bolívia prende procurador-geral e outras 13 pessoas.

Operação atinge cúpula do Ministério Público da Bolívia e prende procurador-geral

CNN/
Bolívia prende procurador-geral e outras 13 pessoas. Roger Mariaca/EX-PGR da BOLIVIA/ Reprodução

Uma operação contra uma suposta estrutura criminosa infiltrada no sistema de Justiça da Bolívia terminou com 14 pessoas detidas, entre elas o procurador-geral do país, Roger Mariaca.

Mariaca foi preso na noite de ontem (30), em Santa Cruz de la Sierra, dois dias depois de os Estados Unidos revogarem seu visto sob acusações relacionadas a corrupção e favorecimento ao narcotráfico. Entre os outros detidos está Alberto Zeballos, que ocupava a chefia do Ministério Público em Santa Cruz.

Governo acusa grupo de proteger narcotráfico

O ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, afirmou que a investigação aponta para uma organização instalada dentro de estruturas do Ministério Público e do sistema de Justiça.

Segundo o governo boliviano, Mariaca, o agora ex-PGR da Bolivia, será investigado por suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

As acusações ainda serão submetidas ao processo judicial e não representam condenação.

Operação fez buscas em órgãos públicos

Equipes policiais realizaram buscas em instalações do Ministério Público em Sucre e Santa Cruz, além de outros endereços relacionados aos investigados.

Documentos, equipamentos e outros materiais deverão ser analisados no decorrer das investigações. O governo informou que as prisões fazem parte de uma ofensiva contra possíveis redes de proteção ao tráfico de drogas dentro de instituições públicas.

Estados Unidos haviam cancelado visto de Mariaca

Dois dias antes da prisão, o governo dos Estados Unidos havia revogado o visto do procurador-geral.

Washington acusa Mariaca de ter solicitado ou recebido vantagens para favorecer atividades relacionadas ao narcotráfico e dificultar ações contra organizações criminosas.

O procurador rejeitou as acusações e classificou a medida norte-americana como pressão política e interferência externa.

Caso envolve narcotraficante uruguaio

Parte das suspeitas também envolve a atuação das autoridades bolivianas em casos relacionados ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset.

Durante a gestão de Mariaca, o Ministério Público participou de investigações contra Marset, que permaneceu foragido durante anos antes de ser novamente capturado.

Declarações recentes atribuídas ao próprio narcotraficante passaram a integrar o ambiente das investigações, mas as acusações ainda precisam ser comprovadas.

Prisão ocorre em momento de aproximação com os EUA

A operação acontece enquanto o governo do presidente Rodrigo Paz amplia a cooperação com os Estados Unidos nas áreas de segurança e combate ao crime organizado.
A administração boliviana afirma que pretende aprofundar ações contra redes criminosas e possíveis esquemas de corrupção dentro das instituições públicas. A defesa de Mariaca sustenta que as acusações têm motivação política.




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