Qual a chance de a eleição presidencial acabar no primeiro turno?
Colunistas famosos analisam se é possível que a disputa ao Palácio do Planalto termine no próximo dia 4
Reprodução Embora 12 candidatos concorram à Presidência da República, dois nomes protagonizam a corrida e reúnem mais de 70% das intenções de votos, de acordo com as últimas pesquisas: o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ainda antes do início oficial da campanha, quando o petista chegou a abrir vantagem na liderança nos principais levantamentos, o entorno do postulante à reeleição buscava estimular a militância sobre a hipótese de vitória no primeiro turno.
Agora, com Flávio encurtando sucessivamente a distância e já aparecendo em situação de empate técnico com o principal rival, são os bolsonaristas que, com o intuito de atrair simpatizantes de outros nomes à direita — Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) —, encampam a defesa do voto útil para tentar encerrar a disputa sem a necessidade de retornar às urnas no fim de outubro.
Para que isso ocorra, é preciso que um dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos válidos, quando são desconsiderados os nulos e brancos.
Na pesquisa Datafolha mais recente, considerando esse índice, Lula tinha a preferência de 43% do eleitorado, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — ambos, portanto, ainda relativamente distantes do objetivo em questão.
Qual é, então, a chance real de a eleição presidencial acabar já no primeiro turno?
Esse é o questionamento da "Pergunta da semana", na qual jornalistas do jornal GLOBO focados na cobertura política respondem as principais dúvidas que emergem na disputa eleitoral.
Abaixo, você pode ler a opinião dos colunistas Lauro Jardim, Mauricio Moura e Renato Meirelles, além do editor de Política, Thiago Prado.
A dez dias da eleição, dá pra dizer que é baixa essa chance.
Nas duas vezes em que isso ocorreu, em 1994 e 1998, havia um grau de polarização menor no país e ainda um encantamento popular com a recente estabilização da moeda.
Para que tal possibilidade ocorra em 2026, é preciso um grave escorregão de Lula ou Flávio Bolsonaro nesta reta final, que poderia ser uma fala desastrada ou a revelação de algum caso agudo de corrupção envolvendo diretamente um dos dois.
MAURICIO MOURA
A maior probabilidade é termos um segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. Porém, a possibilidade de a eleição terminar em primeiro turno, na nossa visão, é relevante.
Para isso, seria preciso uma onda de “antipetismo de chegada” forte e um aumento da equação de não voto (abstenção, brancos e nulos), o que favoreceria o nome do PL.
Há sinais iniciais da presença desses elementos, mas a próxima semana será crítica para a compreensão desse fenômeno.
RENATO MEIRELLES
Hoje, eu diria que a chance existe, mas ainda é baixa. Para a eleição acabar no primeiro turno, não basta Lula ou Flávio crescerem: é preciso que o voto útil esvazie rapidamente as candidaturas menores.
As pesquisas mostram os dois muito fortes, e os demais comprimidos, mas ainda há votos suficientes fora dos polos para tornar o segundo turno o cenário mais provável.
A disputa só acaba antes se o eleitor começar a votar para impedir, e não para escolher.
THIAGO PRADO editor de Política
Apostaria em dois turnos. Entendo as projeções de aumento da abstenção e de votos nulos diante do desinteresse na eleição manifestado nas pesquisas espontâneas, ainda com muitos indecisos.
E compreendo que a campanha por voto útil na reta final possa ter peso. Mesmo assim, acho que Caiado, Cury, Renan e Zema conseguem, somados, garantir que haja um segundo turno, como conseguiram Ciro Gomes e Simone Tebet, em 2022, e Heloísa Helena e Cristovam Buarque, em 2006. Foram as duas eleições polarizadas do século com o pelotão de baixo com desempenho aquém, e que mesmo assim tiveram segundo turno.
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