Relatórios foram determinados por Moraes.
Chefe da PF nega monitoramento ilegal de André Mendonça e aponta ordem de Alexandre de Moraes
Reprodução RedeSocial/PF /STF/ O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sua versão sobre os relatórios de inteligência que mencionaram o ministro André Mendonça e acabaram no centro da atual crise dentro da Corte.
Na manifestação enviada ao STF, Andrei afirma que os documentos foram produzidos no âmbito regular das atividades de inteligência da Polícia Federal e que sua remessa ao Supremo ocorreu em cumprimento a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes. O diretor-geral também nega que a corporação tenha realizado monitoramento ilegal de Mendonça ou do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Andrei nega vigilância contra ministro
Segundo a manifestação, não houve vigilância física, interceptação telefônica ou obtenção clandestina de dados envolvendo André Mendonça.
Andrei sustenta que os documentos questionados eram análises de inteligência produzidas a partir de informações disponíveis à corporação e não resultado de uma operação clandestina direcionada contra autoridades do Supremo. Em sua defesa, afirmou que “não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito” de Mendonça ou de Jorge Messias.
Relatórios por determinação de Moraes
Outro ponto central apresentado por Andrei é a origem da remessa dos documentos ao STF.
Segundo o diretor-geral, a Polícia Federal encaminhou o material por determinação judicial de Alexandre de Moraes. Posteriormente, um dos relatórios passou a integrar uma manifestação de Moraes na qual foram levantadas suspeitas sobre a atuação de André Mendonça.
O episódio ampliou o confronto entre os dois ministros e abriu uma discussão dentro do Supremo sobre os limites da atividade de inteligência da PF e a utilização desses documentos em procedimentos envolvendo integrantes da própria Corte.
Mendonça considerou que estava sendo monitorado
André Mendonça havia determinado o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada, em 8 de setembro.
Na decisão, Mendonça afirmou que documentos indicavam que ele teria sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal pela inteligência da corporação. O ministro mencionou pelo menos seis relatórios produzidos entre o início e o fim de agosto e classificou a situação como de elevada gravidade.
Documentos divulgados posteriormente, porém, não apontam registros de vigilância física, interceptação telefônica ou acompanhamento de localização do ministro.
Fachin suspendeu afastamento da cúpula da PF
A decisão de Mendonça acabou sendo suspensa pelo presidente do STF. Na quarta-feira (9), Edson Fachin suspendeu tanto o afastamento determinado por Mendonça quanto a decisão posterior de Flávio Dino que havia reintegrado os dirigentes da PF.
Fachin assumiu a condução institucional da controvérsia e deu 48 horas para Andrei Rodrigues prestar esclarecimentos. Foi nesse contexto que o diretor-geral apresentou a manifestação defendendo a regularidade da atuação da Polícia Federal.
Andrei pede rejeição do afastamento
Na defesa encaminhada ao presidente do Supremo, Andrei sustenta que sua atuação se restringiu ao cumprimento de determinações judiciais e às atribuições institucionais da Polícia Federal.
Ele pede que a medida de afastamento seja rejeitada.
A manifestação também procura afastar a interpretação de que a PF teria iniciado por conta própria uma investigação clandestina contra um ministro do Supremo.
Disputa entre Moraes e Mendonça
A controvérsia ocorre dentro da crise provocada pelas investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça, relator do caso, divulgou relatório contendo mensagens recuperadas do celular de Vorcaro e referências a Alexandre de Moraes.
Moraes reagiu apresentando material que levantava suspeitas sobre a atuação de Mendonça e defendendo a abertura de investigação. Desde então, decisões, relatórios e pedidos apresentados pelos dois ministros passaram a alimentar uma das maiores disputas recentes dentro do STF.
Sessão extraordinária nesta terça-feira
O caso deverá voltar ao centro das atenções na terça-feira (15), quando o STF tem sessão extraordinária marcada para discutir pontos relacionados aos relatórios da Polícia Federal e aos dados apreendidos nas investigações do Banco Master.
Até lá, Fachin analisa manifestações e pedidos apresentados pelos diferentes envolvidos na crise.
A posição de Andrei agora integra formalmente esse conjunto: a PF sustenta que não espionou André Mendonça e afirma que os relatórios enviados ao Supremo foram produzidos regularmente e encaminhados por ordem de Alexandre de Moraes.
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