Produtora registrou pressão para delatar Flávio.

Documento apreendido pela PF relata abordagens para possível delação contra Flávio Bolsonaro

Caio Junqueira/CNN/edsonvalerio.com.br
Produtora registrou pressão para delatar Flávio. Karina Gama, sa produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse” /edes sociais

Um documento apreendido pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10) acrescentou um novo capítulo às investigações envolvendo o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, registrou em cartório um relato sobre abordagens que, segundo ela, teriam ocorrido durante o período em que passou a ser investigada.

Nos contatos, conforme a versão apresentada pela empresária a pessoas próximas, teria havido pressão para que ela fizesse uma colaboração premiada envolvendo Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Karina foi alvo nesta quinta-feira de busca e apreensão na Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

Documento estava entre materiais apreendidos pela PF

A declaração registrada por Karina possui quatro páginas e teria sido preparada antes da operação desta quinta-feira. Segundo informações divulgadas após as buscas, o documento foi encontrado pelos investigadores durante o cumprimento do mandado contra a empresária.

No relato, Karina descreve pessoas que teriam feito contato com ela em momentos diferentes para tratar da possibilidade de uma delação premiada. Uma das pessoas citadas é o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney.

Karina afirma que o contato efetivo ocorreu em 22 de maio e que Fernando teria oferecido apoio jurídico caso ela tivesse interesse em colaborar com as autoridades. Segundo o documento, ele também teria mencionado proximidade com o ministro Flávio Dino.

Fernando Sarney nega ter feito o contato

Fernando Sarney nega a versão atribuída a ele. Procurado pela imprensa, afirmou que não manteve o contato descrito pela produtora.

Além dele, o relato menciona outras pessoas que teriam procurado Karina durante o período das investigações, incluindo um religioso e um jornalista. Interlocutores da empresária afirmam que as abordagens envolviam a possibilidade de colaboração com informações relacionadas a Flávio Bolsonaro.

Karina diz que não tem o que delatar

Após a operação desta quinta-feira, Karina também afirmou que vinha se sentindo ameaçada e pressionada. A produtora sustenta que não possui informações comprometedoras para oferecer em uma eventual colaboração premiada.

Segundo seu relato, ela atuou na produção do filme e recebeu os recursos destinados à realização do projeto, mas não participou diretamente da captação junto aos financiadores. Karina também afirma que está colaborando com as investigações.

Operação cumpriu 49 mandados

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Make Up, que investiga possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e entidades relacionadas à produção de Dark Horse.

Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão, cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Além de Karina Gama, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) esteve entre os principais alvos da operação. A investigação apura suspeitas relacionadas a peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Emendas de Mario Frias estão no centro da investigação

Parte da apuração envolve R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina.

A Polícia Federal investiga se recursos públicos destinados a projetos específicos acabaram circulando por empresas e estruturas ligadas à produção do filme.

Os investigadores também analisam contratos do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade comandada pela empresária.

A suspeita é de que empresas tenham sido subcontratadas sem comprovação suficiente da efetiva prestação dos serviços. Os investigados negam irregularidades.

Filme também aparece nas investigações sobre Vorcaro

Dark Horse já vinha sendo citado em outra frente de investigação envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal apura movimentações financeiras relacionadas ao financiamento do longa e os caminhos utilizados para a transferência dos recursos.

Flávio Bolsonaro também passou a ser citado nesse núcleo após a divulgação de conversas e áudios relacionados à busca de financiamento privado para o filme. O candidato afirma que não houve utilização de dinheiro público na produção e vem criticando as investigações envolvendo o projeto.

Documento adiciona novo elemento à investigação

A apreensão do registro feito previamente em cartório coloca agora sob análise da Polícia Federal também os contatos relatados por Karina. O documento deverá ser confrontado com mensagens, registros telefônicos e demais materiais eletrônicos apreendidos durante a operação.







































Além da investigação sobre a origem e o destino dos recursos utilizados em projetos ligados às entidades comandadas pela empresária, a PF passa a ter em mãos um relato formal no qual Karina afirma ter sido procurada para discutir uma eventual colaboração premiada envolvendo Flávio Bolsonaro.




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