Novo iPhone dobrável custa um ano de salário mínimo
Novo iPhone Duo custa R$ 21,9 mil no Brasil
Reprodução APPLE O salário mínimo do Brasil é de R$ 1.621 por mês, o que equivale a R$ 7,37 por hora, considerando a jornada padrão de 220 horas mensais prevista pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), segundo cálculos feitos pela revista EXAME.
Para comprar o iPhone Duo, um trabalhador nessa faixa de renda precisaria trabalhar 2.984 horas — o equivalente a 373 dias de trabalho de oito horas, ou cerca de 13 meses e 17 dias de salário integral, sem gastar um centavo com qualquer outra despesa.
A conta melhora, mas não o suficiente, quando se considera a renda média do trabalhador brasileiro: R$ 3.738 por mês, referente ao segundo trimestre deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. (PNAD)
Nesse caso, o valor-hora sobe para R$ 16,99, considerando a mesma jornada de 220 horas mensais.
São necessárias cerca de 1.295 horas de trabalho para comprar o aparelho, aproximadamente 162 dias de trabalho de oito horas, ou cerca de 5 meses e 27 dias de salário integral.
Ou seja: com a renda média, um trabalhador levaria menos da metade do tempo que levaria recebendo o salário mínimo, mas ainda assim precisaria destinar quase seis meses de salário integral só para comprar o smartphone mais caro já lançado pela Apple.
Nem todo mundo compra na loja oficial
Vale um adendo importante: a conta considera o preço de tabela cobrado diretamente pela Apple em seu site oficial, à vista.
Na prática, a maior parte dos brasileiros que compra um iPhone recorre ao parcelamento e, para produtos desse valor, o mercado brasileiro costuma oferecer até 12 vezes sem juros no cartão de crédito, incluindo na própria loja oficial da Apple, ou um desconto de cerca de 10% para pagamento à vista.
O problema começa quando esse parcelamento não é pago em dia.
Se o consumidor deixa de quitar a fatura integral e cai no crédito rotativo do cartão, a taxa de juros média no Brasil já passou de 430% ao ano em 2026, segundo dados do Banco Central, um dos custos de crédito mais caros do mundo.
Já o parcelamento da própria fatura em atraso, alternativa menos custosa que o rotativo, ainda assim tem taxa média acima de 200% ao ano.
Programas de financiamento estendido oferecidos por bancos, como o "iPhone pra Sempre", do Itaú, e opções semelhantes de outras instituições, chegam a esticar o parcelamento sem juros para até 21 vezes, mas, ao fim do período, exigem um pagamento final residual, equivalente a cerca de 30% do valor do aparelho, caso o cliente decida ficar com ele.
No Brasil, diferentemente de mercados como os Estados Unidos e a Europa, a Apple não opera um programa oficial de troca com desconto — o Trade In da marca não chega por aqui.
Quem ocupa esse espaço são varejistas autorizados e operadoras de telefonia.
A iPlace, maior revenda parceira da Apple no país, mantém o Buyback iPlace, que avalia o aparelho usado, inclusive modelos Android, desde 2023, e abate o valor na compra de um novo, tanto em loja física quanto on-line.
Fast Shop, Magazine Luiza e outras grandes redes de varejo também têm programas próprios de avaliação e troca.
Do lado das operadoras, Vivo, Claro e TIM costumam combinar planos de fidelidade com desconto na troca do aparelho antigo, além de parcelamento do saldo restante em até 12 ou mais vezes, normalmente vinculado à permanência num plano pós-pago por um período mínimo.
Somadas essas facilidades, a compra de um iPhone no Brasil raramente é feita à vista e de uma vez só — o que explica, em parte, como o preço parece mais palatável do que o número bruto sugere: o brasileiro médio não paga R$ 20 mil de uma vez, ele parcela essa fração de sua renda anual ao longo de meses, muitas vezes financiada em conjunto com a operadora de celular.
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