Debate tem críticas às ausências de Lula, Zema e Flávio.

Além de alguns palavrões e criticas. o foco em segurança e divergências sobre 6 x 1, foram debatidos.

Bernardo Mello, Paulo Assad, Filipe Vidon e Sérgio Quintella — Rio de Janeiro e São Paulo
Debate tem críticas às ausências de Lula, Zema e Flávio. Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo.

Esvaziado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o primeiro debate dos candidatos à Presidência da República, transmitido neste domingo pela TV Band, contou apenas com a presença de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Na abertura do debate, os três candidatos presentes criticaram as ausências, em especial as de Lula e de Flávio.
Ao longo da conversa, os três abordaram temas como segurança, educação, economia e polarização.
Primeiro sorteado para responder a uma pergunta dos jornalistas, Renan Santos dirigiu-se aos púlpitos vazios de Lula e de Flávio e afirmou que os apoiadores de ambos "vivem brigando na internet, mas eles próprios são covardes".
— Eles não têm coragem de vir aqui falar sobre os crimes que cometeram.
Não ligam para as vidas dos brasileiros que morrem todos os anos pela criminalidade — afirmou Renan, que se referiu aos dois adversários como "criminosos".
Em seguida, Caiado manteve a mesma toada do presidenciável do Missão e lamentou as ausências de Lula e de Flávio, sem referir-se à falta de Zema:
— A sociedade esperava a presença dos dois pré-candidatos. Isso mostra que eles não têm como explicar os escândalos em que estão envolvidos — disse o candidato do PSD.
Cury, que chegou a ensaiar também faltar ao debate, usou sua primeira resposta para criticar a ausência de Lula.
— Lula deveria estar aqui para responder sobre educação: 95% dos nossos jovens não aprendem matemática quando terminam o ensino médio.
Isso pode condená-los a vida toda a não ter gestão financeira e debater ideias adequadamente — afirmou.
Apesar da ausência dos três nomes, as críticas dos candidatos se concentraram no atual presidente.
A decisão do petista de não ir ao encontro e conceder uma entrevista a um outro canal de televisão foi retomada mais de uma vez ao longo do debate .
Cury se disse "indignado" com a situação e afirmou se tratar de um "um desrespeito com a democracia".
Ao falar do tema, Renan Santos se referiu ao presidente como "aquele bêbado" e "safado". O candidato do Missão também fez ofensas a Flávio Bolsonaro, que chamou de "cagão".
Escândalos de corrupção recentes, que atingem Flávio Bolsonaro e Lula, foram revisitados pelos adversários.
Renan Santos, que se referiu aos dois como "criminosos", afirmou ao final do debate que a eleição era "um jogo de cartas marcadas" montado pelo Banco Master.
Caiado, por sua vez, atacou Flávio Bolsonaro por conta da revelação de que a cinebiografia do pai, batizada de Dark Horse, contou com financiamento de Daniel Vorcaro.
— O primeiro candidato tem o Dark Horse, que esse vocês conhecem. E o Lula tem o Dark Lobby. Aí, é a Roberta (Luchsinger). E também o Lulinha, que é o artista — disse Caiado.
Após as declarações iniciais, os candidatos fizeram perguntas uns aos outros.
Renan Santos abriu o bloco com uma pergunta direcionada a Augusto Cury sobre a persistência no voto no adversário petista. O escritor respondeu com um tom crítico à polarização.
— O Brasil está dramaticamente doente, polarizado, radicalizado. Venderam uma ideia mentirosa que estamos em dois barcos.
Estamos em um barco só, nem de direita nem de esquerda. O barco se chama família brasileira.
E 90% das dores não têm cor partidária — diz Cury, que em seguida começou a falar de violência contra mulheres, desemprego de jovens e impactos da IA sobre o mercado de trabalho.
Segurança Pública
Um dos temas retomados mais de uma vez ao longo do debate é o combate ao crime.
No início do debate, Renan Santos foi instado por jornalistas a apresentar três propostas para a área da segurança pública.
O candidato do Missão disse que, caso eleito, ele irá declarar estado de defesa e decretar Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas tomadas pelo crime organizado.
— Quando eu cheguei ao governo tinha aquela tese que dizia que briga de homem com mulher não se mete a colher.
Em Goiás meti algema, meti tornozeleira no covarde — disse Caiado, prometendo que, caso eleito, trará outros segmentos da sociedade para tratar do tema — Colocam a responsabilidade só na segurança pública. Nós temos que agregar a ela também todos os segmentos da sociedade.
Todos aqueles que realmente sabem que precisa de ser avisado a polícia antes. Buscar a Defensoria Pública, o Ministério Público, trazer também as ONGs e as entidades de classe.
No bloco seguinte, Augusto Cury fez uma pergunta sobre segurança pública a Ronaldo Caiado.
Em um momento de troca de afagos, os dois médicos se cumprimentaram como colegas de profissão, e Cury se referiu ao adversário como "xerife" e o convidou para fazer parte de um eventual governo seu. O escritor questionou o ex-governador de Goiás sobre violência contra mulheres.
— Quando eu cheguei no governo tinha aquela tese que dizia que briga de homem com mulher não se mete a colher.
Em Goiás, meti algema, meti tornozeleira no covarde — disse Caiado, prometendo que, caso eleito, trará outros segmentos da sociedade para tratar do tema — Colocam a responsabilidade só na segurança pública. Nós temos que agregar a ela também todos os segmentos da sociedade.
Todos aqueles que realmente sabem que precisam avisar a polícia antes.
Buscar a Defensoria Pública, o Ministério Público, trazer também as ONGs e as entidades de classe.
No bloco seguinte, Caiado foi novamente questionado sobre o tema e discorreu sobre o domínio territorial de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
— Essa é a situação que chegou da convivência do atual governo com as facções criminosas no Brasil.
Quando você se ajoelha para o crime, ele cresce — disse Caiado, que falou em seguida sobre a sua experiência no governo de Goiás — Nós temos que ter uma estrutura. Em primeiro lugar, inteligência artificial, segundo lugar, batalhões bem treinados, integração das nossas forças e não vou tirar autoridade de nenhum governador. Pelo contrário, eu vou aumentar.
Fim da escala 6x1

Os candidatos também abordaram o debate que envolve o fim da escala 6x1, tema tratado pelo governo federal como uma de suas principais pautas no Congresso Nacional.
O assunto surgiu após Renan Santos ser questionado por uma jornalista. O candidato do Missão se mostrou crítico à mudança na legislação trabalhista:
— Alguém chega para você e fala: 'Você vai trabalhar menos, menos'. Esse mesmo cara falou que você vai comer mais picanha.
Esse mesmo cara, na maior tranquilidade, falou que ia taxar as bluzinhas e os eletrônicos e você não ia pagar o preço. Você acredita? Quando a esmola é demais, o santo desconfia — respondeu Renan Santos, que acrescentou — Não acredite nesses políticos, estão dizendo que você vai trabalhar menos e ganhar mais num país. Está todo mundo quebrando. Este é um cenário desesperador para o nosso país.
Em seguida, Renan Santos disse que fará, em um eventual governo, "reformas de competitividade", com alterações na legislação trabalhista para facilitar a contratação e reduzir impostos que incidem sobre salários. Augusto Cury foi escolhido para comentar a fala do adversário e se mostrou favorável ao fim da escala 6x1.
— 30% dos trabalhadores do Brasil estão com síndrome de burnout, estresse profissional, dores de cabeça, dores musculares, autocobrança, cobrança excessiva.
A escala 5 por 2 atende à necessidade dos trabalhadores — respondeu Cury, que disse em seguida: — Eles vão poder ter mais tempo com a família, mais qualidade de vida e, consequentemente, produzirão mais.
A escala 6 por 1 atende a determinados setores da economia. O que nós temos que fazer, na minha opinião, é ajustar para atender às necessidades dos trabalhadores e também às necessidades das empresas.
Relações Brasil-EUA
Os candidatos também responderam questões sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, que se encontram em crise desde o tarifaço anunciado pelo presidente americano Donald Trump no ano passado. Ainda no segundo bloco, Cury foi questionado por jornalistas sobre como lidaria com a relação comercial entre os dois países.
Ele respondeu que os dois países devem ter "as melhores relações"
— Mas os Estados Unidos, sem dúvida alguma, estão passando por alguns problemas e que ninguém fala.
Eles devem cerca de 40 trilhões de dólares, 122% mais ou menos do PIB. Por trás desse tarifaço, há um desespero enorme de resolver as contas públicas federais dos Estados Unidos.
Mas nós não podemos ser subservientes — disse Cury, que afirmou ser capaz de "pacificar" a relação entre os dois países. Em outro momento, ele disse que terras raras, o agronegócio e energias renováveis são caminhos para o país ter "notoriedade e grandeza".
Caiado foi o nome escolhido para comentar a fala do adversário.
O ex-governador de Goiás afirmou que Lula "está doido para criar impasses" com o objetivo de ter ganhos eleitorais. Na avaliação de Caiado, o petista quer "desviar o foco da eleição":
— O Itamaraty passou a ser simplesmente porta-voz do PT. Isso é que eu vou recuperar no Brasil, ou seja, fazer com que a chancelaria brasileira volte a saber fazer os acordos, poder debater em grande nível e poder recuperar o Brasil.
Ao tratar do tema, Renan Santos afirmou que o projeto bolsonarista era "puxar o saco de Donald Trump".
Lula, Flávio e Zema
Inicialmente, o debate estava marcado para acontecer no dia 16 de agosto, mas acabou sendo adiado para este domingo após Lula sinalizar que não iria ao encontro.
O petista, no entanto, manteve a decisão de faltar ao evento, o que levou Flávio Bolsonaro a optar por não comparecer.
Neste domingo, Romeu Zema (Novo) anunciou que não iria mais participar e atribuiu a decisão à ausência do petista.
"Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial.
Nesse contexto, esta assessoria informa que Romeu Zema também não participará deste debate promovido pela Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão", disse a nota divulgada neste domingo.
Último a chegar nos estúdios da Band, o escritor Augusto Cury disse inicialmente a jornalistas que não iria participar do debate. Ele se referiu ao evento como "um teatro" e disse que a sua decisão era um "protesto". Momentos depois, no entanto, Cury mudou de ideia e decidiu entrar no estúdio do canal de televisão, após conversar com o jornalista Fernando Mitre.
— Não estou fugindo. O Lula resolveu dar uma entrevista e não veio. Isso aqui é um teatro — afirmou em uma live que abriu em sua página no Instagram.
Ele foi questionado sobre como a sua postura se diferenciava dos adversários ausentes — A diferença é que estou fazendo um protesto. Isso não é democracia.
A última pesquisa do Datafolha, divulgada na sexta-feira, colocou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio marcava 33%.
Ambos estão à frente dos demais candidatos, com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) em empate técnico, dentro da margem de erro. No segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio.
O debate com os candidatos à Presidência teve início às 20h. Foram três blocos temáticos principais, onde os presidenciáveis responderam a questionamentos formulados pelos apresentadores, além de perguntas elaboradas por jornalistas do Grupo Bandeirantes.
Foram feitos ainda dois blocos de confrontos diretos entre os participantes.
Nessas fases, os candidatos podem circular livremente pelo estúdio para fazer perguntas, réplicas e tréplicas sem a intermediação dos âncoras.





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