400 candidatos tem identificação religiosa no nome
Pastores são 73% dos candidatos que levam identificação religiosa para o nome de urna
Imagens: Magnific A religião também estará estampada diretamente nas urnas eletrônicas nas Eleições 2026. Um levantamento realizado a partir dos registros de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou 404 candidatos que escolheram algum tipo de título ou referência religiosa para compor o nome de urna.
A presença evangélica é predominante. Dos 404 nomes encontrados, 295 utilizam “pastor”, “pastora” ou a abreviação “PR”, o equivalente a aproximadamente 73% do total.
Outros 43 candidatos aparecem como “irmão” ou “irmã”, termos frequentemente usados dentro de comunidades evangélicas e também em alguns segmentos católicos.
Religiões de matriz africana em 28 candidaturas
O levantamento também encontrou 28 candidatos que utilizam nomes de orixás ou expressões como “mãe” e “pai”, associadas às religiões de matriz africana.
Esse grupo corresponde a aproximadamente 7% dos 404 nomes identificados.
Também aparecem:
21 candidatos com o título de bispo;
10 candidatos que utilizam padre;
5 que se apresentam como apóstolo ou apóstola;
1 candidato com o título de reverendo;
1 que utiliza frei.
A identificação utilizada na urna não significa necessariamente que todos tenham registrado oficialmente uma ocupação religiosa.
Dos 404 candidatos mapeados, apenas 35 declararam ao TSE como ocupação “sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa”.
Nesse grupo, 28 utilizam pastor, pastora ou PR no nome de urna, quatro se apresentam como padres, duas usam o título de mãe e uma aparece como bispo.
96% disputam vagas no Legislativo
A grande maioria das candidaturas com identificação religiosa está concentrada nas eleições proporcionais.
Dos 404 nomes, 389 — cerca de 96% — concorrem aos cargos de deputado estadual, distrital ou federal. São 220 candidatos a deputado estadual, o maior grupo.
Outros 157 disputam uma cadeira na Câmara dos Deputados e 12 concorrem a deputado distrital, no Distrito Federal.
Fora dessas disputas, aparecem ainda:
7 candidatos a segundo suplente de senador;
4 candidatos ao Senado;
3 candidatos a vice-governador;
1 candidato a primeiro suplente de senador.
MDB lidera número de candidatos
Entre os partidos, o MDB reúne a maior quantidade de candidatos que utilizam algum tipo de título ou referência religiosa no nome apresentado ao eleitor.
São 37 candidaturas. Na sequência aparecem o Republicanos, com 30, e o DC, com 28.
Os números mostram que o uso eleitoral das identificações religiosas está espalhado por diferentes legendas e regiões do país.
Rio de Janeiro maior número de nomes
Entre os estados, o Rio de Janeiro aparece na primeira posição, com 50 candidatos utilizando algum tipo de identificação religiosa. São Paulo tem 49, apenas um a menos.
Na terceira posição aparece Pernambuco, com 31 candidaturas.
O levantamento considera apenas os candidatos que colocaram diretamente alguma identificação religiosa em seus nomes de urna.
Por isso, não alcança políticos ligados publicamente a igrejas ou grupos religiosos, mas que concorrem utilizando apenas o nome próprio ou político.
Identidade religiosa virou elemento de campanha
Para Emanuel Freitas, professor de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará e pesquisador das relações entre religião e política, os números ajudam a mostrar como referências religiosas passaram também a integrar estratégias eleitorais.
Segundo o pesquisador, há candidaturas que transformam pautas relacionadas à religião em parte central da apresentação política diante do eleitorado.
O fenômeno não aparece integralmente no levantamento justamente porque muitos candidatos com forte ligação religiosa não utilizam títulos dessa natureza no nome de urna.
Um exemplo é Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, que possui forte interlocução com lideranças evangélicas, mas não utiliza identificação religiosa no nome apresentado ao eleitor.
Pastores dominam entre as identificações
Pastor, pastora ou PR – 295 candidatos (73%)
Irmão ou irmã – 43 (10,5%)
Pai, mãe ou nomes ligados a orixás – 28 (7%)
Bispo – 21 (cerca de 5%)
Padre – 10 (aproximadamente 2,5%)
Apóstolo ou apóstola – 5
Reverendo – 1
Frei – 1
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