Empresária morre após procedimentos estéticos.
Empresária pagou R$ 118 mil por cirurgias no rosto e morreu horas depois do procedimento
Reprodução Redes Sociais. Empresária morre após passar por seis procedimentos estéticos no rosto em Goiânia
O que seria a realização de um sonho terminou em morte para a empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos. Ela morreu depois de ser submetida a seis procedimentos estéticos no rosto, realizados durante uma cirurgia que se estendeu por mais de oito horas, em Goiânia.
Andreia morava havia cinco anos na Espanha e veio ao Brasil para realizar as intervenções.
Segundo a família, ela escolheu o médico otorrinolaringologista Lessandro Martins para fazer os procedimentos.
A empresária morreu no dia 12 de agosto.
A irmã, Djiane Vieira, afirma que Andreia pagou R$ 118 mil pelo tratamento e que as cirurgias representavam um antigo desejo da empresária.
“Minha irmã pagou R$ 118 mil para entrar linda como era para que ela morresse nos meus braços”, declarou Djiane à TV Anhanguera.
Seis procedimentos foram realizados em uma única cirurgia
Entre as intervenções estava uma ritidoplastia profunda, procedimento conhecido também como lifting facial, além de lipoaspiração no pescoço.
Durante a cirurgia foram reposicionados tecidos e músculos da face, além de alterações na linha do cabelo e reposicionamento do queixo.
A empresária também passou pela retirada de excesso de pele e bolsas de gordura das pálpebras, remoção de gordura do pescoço e da mandíbula e recebeu aplicação de células-tronco retiradas do próprio corpo.
Todo o conjunto de procedimentos teria levado mais de oito horas.
Família percebeu agravamento horas depois da cirurgia
Segundo Djiane, após o procedimento Andreia apresentava inchaço intenso na língua e não conseguia fechar a boca.
A irmã afirma que chamou a atenção da equipe médica para o estado da paciente. Aproximadamente seis horas após a cirurgia, o quadro teria se agravado.
Ainda de acordo com informações apuradas pela reportagem que revelou o caso, exames indicavam que Andreia apresentava uma bactéria e um processo infeccioso ativo.
A empresária morreu depois de cerca de duas horas de tentativas de reanimação.
Irmã questiona estrutura disponível no hospital
A família também levanta questionamentos sobre a estrutura do hospital onde a cirurgia foi realizada.
Djiane afirma que a unidade não possuía Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e questiona a existência de uma ambulância disponível para eventual transferência da paciente.
“O hospital não tinha UTI e ele dizia que tinha”, afirmou a irmã.
A informação sobre a ausência de UTI é uma alegação apresentada pela família e faz parte dos pontos que poderão ser analisados pelas autoridades.
Hospital afirma que paciente recebeu atendimento imediato
A defesa do Hospital Ankar lamentou a morte de Andreia e informou que a paciente recebeu atendimento de emergência imediato.
Segundo a unidade, a avaliação e os exames realizados antes da cirurgia foram feitos externamente.
O hospital acrescentou que todos os registros referentes ao atendimento estão documentados em prontuário e poderão ser apresentados às autoridades competentes.
Médico afirma que colaborará com as autoridades
O médico Lessandro Martins informou que não comentará publicamente dados clínicos, exames ou detalhes relacionados ao atendimento devido ao sigilo médico, que permanece mesmo após a morte do paciente.
Em nota, afirmou que os esclarecimentos serão prestados diretamente aos órgãos responsáveis pela apuração.
O médico também declarou que haverá total colaboração com as autoridades competentes.
Ministério Público pede abertura de inquérito
A morte de Andreia também passou a ser acompanhada pelo Ministério Público de Goiás.
A 2ª Promotoria de Justiça de Goiânia encaminhou ofício à 1ª Delegacia Regional de Goiânia na quinta-feira (20), solicitando a abertura de inquérito policial.
O objetivo é investigar a possível ocorrência de homicídio culposo, quando não existe intenção de matar.
Cremego informa que denúncias são apuradas sob sigilo
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são analisadas de acordo com as normas do Código de Processo Ético-Profissional Médico.
Essas apurações tramitam sob sigilo.
O conselho informou ainda que solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição mencionada nas denúncias.
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