Luciano Hang critica decisão que suspendeu demissões na Casas Bahia
“Depois perguntam por que é tão difícil empreender”, diz Hang sobre caso Casas Bahia
Reprodução O empresário Luciano Hang, diretor-geral do Grupo Havan, criticou nas redes sociais a decisão da Justiça do Trabalho que suspendeu cerca de 1.900 demissões na Casas Bahia e impôs restrições a novos desligamentos.
Ao comentar o episódio, Hang usou uma frase para resumir sua avaliação sobre a relação entre empresas e o poder público: “Empresa privada é aquela em que o governo manda. Empresa pública é aquela em que ninguém manda.”
Para o empresário, o episódio expõe uma contradição no ambiente econômico brasileiro: enquanto empresas enfrentam juros elevados, crédito mais caro e queda da capacidade de consumo, decisões do Estado podem limitar medidas adotadas para reduzir despesas e reorganizar operações.
Hang relaciona crise a juros altos e dificuldades para empreender
Na publicação, Luciano Hang também criticou a condução das contas públicas e afirmou que o crescimento da dívida, a inflação e os juros elevados acabam pressionando empresas e consumidores.
Segundo ele, taxas de juros na faixa de 14% a 15% ao ano encarecem financiamentos, reduzem o consumo e ampliam as dificuldades principalmente de empresas já endividadas.
Foi nesse contexto que o empresário citou a situação da Casas Bahia, que enfrenta uma grave crise financeira e passa por um processo de recuperação judicial.
A companhia vem adotando medidas para reduzir custos, fechar unidades e reorganizar sua estrutura, numa tentativa de recuperar o equilíbrio financeiro.
Decisão envolvendo 1.900 trabalhadores provoca crítica
A reação do véio da Havan ocorreu depois que a Justiça do Trabalho determinou a suspensão de aproximadamente 1.900 demissões, além de estabelecer restrições para novos cortes de funcionários.
Na avaliação do empresário, impedir ou dificultar uma redução de despesas em uma companhia que tenta recuperar suas finanças pode acabar agravando ainda mais a situação.
Luciano Hang questionou quem efetivamente conhece a realidade financeira de uma empresa e quem assume os compromissos relacionados a salários, dívidas e eventuais prejuízos.
“Empresa quebrada não gera emprego para ninguém”
O empresário defendeu que a preservação dos postos de trabalho depende, antes de tudo, da capacidade das empresas de permanecerem financeiramente saudáveis.
Na publicação, resumiu seu posicionamento ao afirmar que “empresa saudável gera empregos. Empresa quebrada não gera emprego para ninguém”.
Para Luciano Hang, o país precisa avançar em responsabilidade fiscal, segurança jurídica e liberdade para empreender, condições que, segundo ele, são fundamentais para fortalecer a economia e permitir a geração sustentável de empregos.
A decisão envolvendo os trabalhadores da Casas Bahia reacende também a discussão sobre até onde deve ir a atuação da Justiça nas decisões administrativas de empresas que enfrentam processos de reestruturação financeira.
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