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Maringá,04/08/2026

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Rótulo de “seita” abre debate entre IGREJAS.

Classificação da Igreja Adventista reacende divergências teológicas com presbiterianos

JMNoticia/Redesocial/IBP/PortalEdsonValerio
Rótulo de “seita” abre debate entre IGREJAS. Ellen G. White/ Foto: Alexander Mass

Uma decisão interna da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) ultrapassou os limites dos concílios e chegou às redes sociais. A classificação da Igreja Adventista do Sétimo Dia como “seita” provocou manifestações de membros, pastores e simpatizantes adventistas, que consideram o termo ofensivo e teologicamente incorreto. O posicionamento foi aprovado durante a 41ª Reunião Ordinária do Supremo Concílio, órgão máximo da IPB, realizado entre 26 de julho e 2 de agosto, em Manaus.
A medida estabelece que o adventismo não seja reconhecido pela IPB como uma igreja cristã irmã. Também interfere na forma como pessoas vindas da denominação adventista poderão ser recebidas em comunidades presbiterianas, com exigência de instrução na fé reformada, profissão pública de fé e novo batismo.
Debate ganha as redes
A repercussão cresceu após pastores e páginas religiosas divulgarem trechos da decisão e comentários sobre os argumentos apresentados no concílio.
Entre as manifestações, adventistas questionam o uso da palavra “seita” e afirmam que divergências sobre sábado, profecias, condição dos mortos e interpretação do santuário celestial não deveriam retirar da denominação sua identidade cristã. Também há críticas ao efeito público do documento. Para parte dos fiéis, uma resolução destinada à organização interna da IPB acabou produzindo uma generalização capaz de estimular hostilidade e preconceito religioso.
Do outro lado, defensores da medida sustentam que cada denominação tem autonomia para estabelecer critérios doutrinários, definir quais batismos reconhece e indicar com quais igrejas mantém comunhão.
Posições teológicas diferentes
A decisão presbiteriana menciona divergências relacionadas a ensinamentos característicos do adventismo, como o juízo investigativo, a guarda do sábado, a atuação de Ellen G. White, a compreensão sobre o destino final dos ímpios e a interpretação do chamado “bode emissário” descrito no livro de Levítico.
A Igreja Adventista, por sua vez, sustenta oficialmente que suas crenças têm a Bíblia como fundamento. Em conteúdo publicado anteriormente por sua agência oficial, a denominação já havia rejeitado a classificação de “seita” e argumentado que suas doutrinas permanecem ligadas à centralidade de Jesus Cristo e à autoridade das Escrituras.
A controvérsia, portanto, não envolve apenas o significado popular da palavra. Dentro do debate religioso, o termo carrega uma avaliação doutrinária e costuma ser empregado por uma igreja para indicar que considera os ensinamentos de outro grupo incompatíveis com pontos essenciais de sua própria fé.
Estrutura mundial
Organizada oficialmente em 1863, a Igreja Adventista do Sétimo Dia possui mais de 160 anos de história institucional.
Dados divulgados pela própria denominação apontam presença em 212 países, mais de 22,7 milhões de membros, aproximadamente 9,4 mil unidades escolares e 229 hospitais e clínicas ao redor do mundo. Na América do Sul, são cerca de 2,6 milhões de integrantes, além de escolas, universidades e unidades de saúde.
Esses números têm sido citados nas manifestações de adventistas como demonstração da dimensão histórica, social e internacional da igreja, embora o tamanho ou o tempo de existência de uma organização não resolvam, por si só, uma divergência teológica.
Sem manifestação conjunta até o momento
Até o fechamento desta matéria, não havia sido localizada uma nota específica da direção adventista brasileira ou sul-americana em resposta à deliberação tomada pelo Supremo Concílio da IPB.
As reações públicas partiam principalmente de membros, líderes locais, produtores de conteúdo religioso e simpatizantes da denominação.
O episódio continua alimentando discussões sobre doutrina, liberdade religiosa e respeito entre grupos cristãos. A diferença de entendimento permanece, mas não elimina a necessidade de que o debate ocorra sem ataques pessoais ou estímulo à intolerância.




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