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Maringá,21/05/2026

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Justiça diz que homem não teve intenção de matar.

Justiça decide que homem que ateou fogo em companheira não teve intenção de matar

RPC/G1
Justiça diz que homem não teve intenção de matar. Reprodução

Decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná definiu que José Rodrigo Bandura não vai mais responder pelo crime de tentativa de feminicídio. Ele é acusado de ter ateado fogo na ex-companheira em junho de 2025, aqui em Maringá.
No acórdão publicado no dia 15 de maio, os desembargadores Miguel Kfouri Neto, Mauro Bley Pereira Junior e Rotoli De Macedo votaram a favor do recurso apresentado pela defesa de Bandura e mudaram a tipificação do crime para lesão corporal grave.
Na decisão, o relator reconheceu o argumento da defesa de Bandura, de que ele se arrependeu logo após atear fogo na mulher e, imediatamente, a ajudou. Por isso, o desembargador considerou que ele não teve a intenção de matar a ex-companheira.
"Ainda que esteja comprovada a autoria delitiva, inexistem nos autos indícios, ainda que mínimos, acerca do ânimo de matar do recorrente, restando demonstrado que ele agiu com vontade de lesionar a vítima. [...] Com efeito, a prova produzida indica que, logo após dar início às chamas, o réu passou a agir no sentido de conter o resultado por ele próprio desencadeado. Em seu interrogatório, afirmou que tentou apagar o fogo imediatamente, auxiliando a vítima, conduzindo-a até a piscina, onde as chamas foram extintas. Acrescentou que permaneceu ao seu lado durante todo o tempo, prestando auxílio contínuo após o ocorrido", considerou o relator na decisão.

Procurado para se pronunciar sobre o caso, o TJ-PR informou que o processo está em sigilo, mas confirmou que José Rodrigo Bandura continua preso preventivamente. O tribunal também informou que o caso tem indicação para ir a júri popular, mas ainda não há previsão de quando isso deve acontecer.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) disse em nota que os autos do processo foram remetidos na terça-feira (19) ao setor de Recursos Criminais, que vai analisar a possibilidade de recurso da decisão. Disse também que a 23ª Promotoria de Justiça de Maringá vai se manifestar nos autos do processo pela manutenção da prisão preventiva do acusado.
A ex-companheira de José Rodrigo Bandura sobreviveu, mas teve 30% do corpo queimado e passou mais de 40 dias internada. Em entrevista, a vítima disse que recebeu a notícia com "muita revolta e desespero".
"Tenho medo mesmo de que ele saia, de uma possível soltura dele e de que ele concretize aquilo que ele tentou fazer. Só o fato de ele ter jogado álcool e ter ateado fogo já é uma situação que é clara de que ele tentou me matar", disse a mulher.

O advogado Marcelo Jacomossi, que atua na defesa de Bandura, considerou que esta é uma "decisão de enorme relevância para o caso". Também informou que protocolou um pedido de soltura do acusado e aguarda a manifestação do MP.
A mulher foi filmada por câmeras de segurança com o corpo em chamas dentro de casa. Segundo o órgão, a mulher teve queimaduras de terceiro grau na parte superior do rosto, cabeça e tórax e passou por cirurgia. Ela chegou a ficar internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Centro de Tratamento para Queimados (CTQ) do Hospital Universitário de Londrina , de onde só saiu no dia 27 de junho.
Conforme a denúncia, José Rodrigo Bandura e a companheira mantinham um relacionamento há aproximadamente três anos. Eles foram morar juntos um mês antes do crime. Neste tempo, consta no documento que as brigas entre os dois se intensificaram.
Homem tem outros registros por violência doméstica
A reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência de violência doméstica, registrado pela mesma vítima em dezembro de 2024. No documento, ela disse aos policiais que José tinha chegado alterado em casa, estando possivelmente alcoolizado e sob o efeito de drogas. Com medo, ela acionou a polícia via 190 e José foi embora da casa.
Em consultas ao sistema da Secretaria de Segurança Pública, a PM disse que também foi possível encontrar outras passagens dele por agressão a mulheres. "Há inclusive algumas passagens por lesão contra a mulher, contra suas companheiras. Desde 2019, há pelo menos três registros
Em outro boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para conter José, que estava colocando fogo na casa de uma outra ex-companheira. O caso aconteceu em novembro de 2019, em Ivatuba, no norte do Paraná.
Os policiais registraram no documento que encontraram José armado. A mulher disse aos agentes que os dois tinham brigado e que foi ofendida e agredida por ele, ficando com hematomas no braço esquerdo.
Em seguida, segundo o boletim, ele ingeriu bebida alcóolica, se feriu na barriga com uma faca e ateou fogo na casa, onde a vítima estava.
O documento ainda cita que, quando os policiais chegaram ao local, havia caminhões-pipa e "um grande número de pessoas aglomeradas e com ânimos alterados", e que houve uma "briga generalizada de pessoas que diziam estar inconformadas". Para tentar conter a confusão, um dos policiais deu um tiro para o alto. Em seguida, José foi levado para um hospital na cidade de Doutor Camargo e depois foi preso.
Conforme dito no depoimento dele à polícia, ele ainda tinha um mandado de prisão em aberto devido ao processo deste caso registrado em Ivatuba.




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