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Maringá,19/05/2026

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China comercializa o primeiro implante cerebral

Implante decodifica sinais neurais com auxílio de inteligência artificial e foi testado em pacientes com paralisia e epilepsia

Diogo Rodriguez/revista científica Nature
China comercializa o primeiro implante cerebral Foto: Chengdu Economic Daily/VCG via Getty Images

                   A China aprovou o primeiro implante cerebral de uso comercial do mundo.
O marco é parte de uma estratégia de Estado para que o país se torne líder global em interfaces cérebro-computador, tecnologia que conecta o sistema nervoso a dispositivos externos, até o fim da década. A meta oficial inclui ao menos dois ou três grupos empresariais de relevância mundial nesse setor até 2030, com marcos técnicos definidos para 2027.
O noticiário sobre o tema costuma girar em torno da Neuralink, empresa americana de Elon Musk.
Mas, segundo reportagem da revista científica Nature, o ecossistema chinês já opera em estágio avançado, com ensaios clínicos concluídos, publicações científicas em preparação e lançamentos de produtos programados para os próximos meses. O que a inteligência artificial muda nessa equação
Interfaces cérebro-computador existem há pelo menos uma década, usadas principalmente em pacientes com paralisia ou doenças neurodegenerativas.
O salto recente veio da incorporação de modelos de linguagem a esses dispositivos, o que tornou a decodificação da atividade cerebral consideravelmente mais precisa do que as técnicas convencionais de processamento de sinais, segundo Li Haifeng, pesquisador de neurocomputação do Instituto de Tecnologia de Harbin.
Na prática, isso significa que o sistema não apenas capta impulsos elétricos do cérebro, ele os interpreta com precisão suficiente para gerar fala, mover cursores e acionar equipamentos.
A NeuroXess, startup de Xangai, desenvolveu um modelo capaz de decodificar o mandarim em tempo real a 300 caracteres por minuto. Para efeito de comparação: um falante nativo produz, em média, 220 caracteres por minuto ao falar. O sistema foi testado em uma paciente de 35 anos com epilepsia.
A mesma empresa realizou outro ensaio com um homem de 28 anos com lesão medular: ele controlou eletrodomésticos movendo um cursor no computador exclusivamente com o pensamento, por um aplicativo. O implante fica posicionado sobre o crânio, com sensores no córtex cerebral, e se conecta por fio a um módulo no tórax do paciente que acumula e transmite dados.
Dados como combustível e como problema
Há uma vantagem estrutural que as empresas chinesas exploram com clareza: acesso a um volume maior de dados de pacientes, viabilizado tanto pelo tamanho da população quanto por um ambiente regulatório mais permissivo em relação à coleta de informações pessoais.
Para Meicen Sun, pesquisadora da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, isso cria um ciclo difícil de romper: mais dados geram produtos melhores, que aumentam a adesão, que geram mais dados.
A contrapartida está nos riscos de privacidade, que se ampliam quando dispositivos neurais passam a ser combinados com inteligência artificial.
O governo chinês editou diretrizes éticas para o setor em 2024, exigindo consentimento documentado de participantes de ensaios e aprovação por comitê de ética. Mas a discussão sobre o que acontece com dados cerebrais em escala comercial ainda está longe de ser resolvida — na China ou em qualquer outro país.
A corrida tecnológica não é inteiramente separada entre China e Estados Unidos. A Maschine Robot, de Pequim, desenvolve modelos de IA para interfaces neurais em parceria com o Laboratório de Interação Humano-Computador do MIT e com o Laboratório de Neurociência Cognitiva de Stanford.
Um dos principais desafios do setor, segundo o cofundador Tony Zhang, é justamente a construção de bases de dados neurais amplas o suficiente para treinar modelos — já que a atividade cerebral varia significativamente entre indivíduos.
O próximo produto da empresa é uma cadeira de rodas controlada por sinais cerebrais, voltada a pacientes com esclerose lateral amiotrófica.
O lançamento está previsto para junho. O sistema usa uma faixa de cabeça para captar a atividade neural e combina essa leitura com o rastreamento do olhar para definir a direção do movimento, uma solução que contorna parte das limitações dos implantes invasivos.
Os ensaios clínicos foram concluídos em parceria com o Hospital Universitário da União Médica de Pequim.





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