OPINIÃO & OPINIÃO
Flávio Bolsonaro consegue provar que dinheiro foi para filme?
Imagina a seguinte cena: Flávio Bolsonaro convocando uma entrevista coletiva na sede do PL. Aí do lado dele, quatro auditores: um da KPMG, um da Deloitte, um da PwC e outro da Ernst & Young.
As quatro juntas auditam 80% dos balanços das empresas de capital aberto do mundo.
Aí ele abre a entrevista com um PowerPoint — não aquele PowerPoint do Dallagnol, né, lembra daquela cena ridícula? — ele faz um PowerPoint de verdade, bacana, explicando real por real, dólar por dólar, cada entrada, cada saída dos recursos que ligam o Banco Master à família Bolsonaro.
O que se sabe e o que não se sabe. Sem truques. Qualquer CNPJ ligado ao Master entra. Não pode esconder nada.
Não dá pra falar assim: 'Ah, eu não falei que era Master porque era Entre Participações' — Interparticipações, sei lá o nome — já leva a primeira chinelada de um auditor. Qual foi o valor total, de onde saíram os recursos, como eles foram transferidos, quantas foram essas transferências, onde é que esse dinheiro foi parar, tudo confirmado por documento fiscal, por nota, por recibo, por Pix, por TED, por código SWIFT, a coisa toda.
Aí quando terminar, os quatro auditores atestam que todos os recursos do Master, todos, de qualquer CNPJ ligado ao Daniel Vorcaro, foram contabilizados.
Aí esse dossiê vai pra um link, repassado aos jornalistas, vai pra um site com o título assim: 'A verdade sobre Flávio Bolsonaro'.
Mas não para por aí, não, porque essa etapa explica a primeira parte, que é a comprovação da entrada do dinheiro do Master, de todos os recursos do Master.
Mas tem a segunda parte, que tem por objetivo mostrar pra opinião pública como é que os Bolsonaro lidam com dinheiro.
O Flávio disse que todo o dinheiro do Master foi parar no filme sobre o pai dele, o Dark Horse.
Então, a mesma coisa precisa ser feita como na primeira parte, agora nessa segunda. Pegar cada centavo, cada dólar que foi recebido e mostrar onde é que foi aplicado. 'Ah, aqui a gente pagou o ator' — nota! 'Aqui a gente pagou o diretor' — nota! 'Isso aqui a gente gastou na filmagem, isso aqui foi na pós-produção, edição, colorização, sei lá', tá tudo lá, tudo com nota.
De novo, os quatro auditores atestam que esse material foi auditado por eles, assim como na primeira parte, e com isso a gente tem todo o caminho do dinheiro, da negociação com Daniel Vorcaro ao uso dos recursos.
E o conjunto termina com uma mega planilha Excel: entradas e saídas, cada linha uma operação, cada operação um documento, tudo vira link, tudo vai pro site.
Se Flávio fizer isso, ele consegue dizer o seguinte: 'Olha, quem colocou a minha honradez em dúvida, eu tô aceitando um pedido de desculpas'. Feito isso, vai restar a discussão sobre comportamento.
Por que um presidenciável acha que tudo bem manter uma relação financeira com um banqueiro depois que o Brasil inteiro sabia que ele estava enrolado? Será que Flávio Bolsonaro consegue fazer isso?"
Eduardo Oinegue
Apresentador do Jornal da Band, da Rádio BandNews FM ao meio dia e comentarista no BandNews TV
COMENTÁRIOS