Quebrado sigilo de médico que matou colegas.
Autoridades terão acesso a conversas de Carlos Alberto Azevedo desde outubro. Réu por duplo homicídio, ele segue preso preventivamente
Reprodução C.Segurança/PCSP A 1ª Vara Criminal de Barueri determinou a quebra do sigilo de três linhas telefônicas ligadas ao médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho. O réu é acusado de matar a tiros dois colegas de profissão em um restaurante de luxo em janeiro deste ano. A medida cautelar abrange os quatro meses anteriores ao crime, permitindo que as autoridades acessem conversas e registros desde outubro de 2025.
O Ministério Público baseia a denúncia em imagens de câmeras de segurança do restaurante El Uruguayo.
As filmagens mostram que, após uma discussão e troca de agressões físicas dentro do estabelecimento, as vítimas — Luís Roberto e Vinicius — foram surpreendidas no estacionamento. Carlos Alberto apareceu por trás e efetuou os disparos fatais. Um detalhe intrigante da investigação aponta que a arma teria sido entregue ao médico por uma mulher, logo após ele ter sido revistado por guardas municipais que não encontraram nada com ele minutos antes.
A Pista dos Contratos Milionários
A principal linha de investigação para a motivação do crime envolve disputas por contratos com Organizações Sociais de Saúde (OSs). Carlos Alberto é proprietário da Cirmed Serviços Médicos, empresa que detém contratos milionários com a Fundação ABC, entidade que foi alvo da "Operação Estafeta" da Polícia Federal em julho de 2025.
Os contratos assinados pelo médico chegam a valores anuais de R$ 6,8 milhões para centros obstétricos e R$ 4 milhões para hospitais de clínicas. A polícia busca entender se as vítimas interferiam ou disputavam esses acordos comerciais, o que transformaria o crime em uma execução ligada a esquemas de propina e poder na gestão hospitalar. O réu permanece preso preventivamente.
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