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Maringá,29/03/2026

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US$ 100 bilhões para retornar à Lua, por que ?

Neste 1º de Abril, a NASA enviará uma tripulação de quatro pessoas ao redor da Lua como um estudo preparatório para um pouso ainda nesta década

BLOMBERG/NASA
US$ 100 bilhões para retornar à Lua, por que ? Foto: Divulgação/Nasa/Keegan Barber

A Nasa realizou o pouso na Lua em 1969 com um objetivo claro desde o início: ser a primeira nação a colocar pessoas na superfície lunar.
Os Estados Unidos estavam envolvidos numa corrida espacial com a União Soviética, e o pouso da Apollo 11 ajudou a consolidar a liderança americana na competição para ser a superpotência geopolítica dominante no auge da Guerra Fria.
Agora, a Nasa está retomando seu programa Artemis. Neste 1º de abril, a agência enviará uma tripulação de quatro pessoas ao redor da Lua como um estudo preparatório para um pouso ainda nesta década.
Mas por que gastar quase US$ 100 bilhões para repetir uma jornada que a Nasa já fez?
O objetivo do programa Artemis é menos óbvio do que o do programa Apollo — tanto que a justificativa para o retorno da Nasa à Lua depende em grande parte de quem responde à pergunta.
Pode ser uma questão de superar seu atual rival, a China. Pode ser uma questão de sustentabilidade — estabelecer uma base lunar para facilitar futuras explorações. Ou pode ser algo muito mais simples: a Nasa está retornando à Lua porque quer destinos para seus astronautas, e a superfície lunar é o próximo local lógico para demonstrar sua capacidade tecnológica.
“Os voos espaciais tripulados estão no cerne da instituição da Nasa desde o programa Apollo, e são a identidade de grande parte da agência”, disse Casey Dreier , chefe de política espacial da Planetary Society, um grupo de defesa do espaço.
O programa Apollo estabeleceu um precedente de que a NASA deveria se esforçar para ter uma iniciativa emblemática de voo espacial tripulado que impulsionasse a exploração espacial dos EUA. Após o Apollo, os esforços tripulados da NASA se concentraram no Ônibus Espacial e, posteriormente, na Estação Espacial Internacional, ambos em órbita baixa da Terra, em vez de órbitas mais distantes no espaço.

Com a aposentadoria do ônibus espacial e o fim da Estação Espacial Internacional (ISS) previsto para esta década, a Nasa vislumbra um futuro onde os humanos poderão viajar mais profundamente no sistema solar.
“Agora que, de certa forma, a Nasa já explorou a órbita baixa da Terra e desenvolveu o ônibus espacial reutilizável, o próximo passo é a Lua”, disse Dreier.
No entanto, há décadas existe uma tensão sobre qual deveria ser o próximo destino cósmico: retornar à Lua ou seguir em direção a Marte.
Os programas para um ou outro destino frequentemente enfrentavam dificuldades para manter o financiamento devido aos recursos limitados e às ambições políticas em constante mudança.
Mas, em 2017, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para levar humanos de volta à Lua e, graças a uma combinação de equipamentos já em desenvolvimento e um impulso político constante, o programa Artemis persistiu. A Lua também está ao alcance dos astronautas com a tecnologia atual, ao contrário de Marte.
“Fomos à Lua e, desde então, queremos voltar”, disse Lori Garver, ex-administradora adjunta da Nasa durante o governo do presidente Barack Obama. “E a combinação de equipamentos e tecnologia nos permitiu finalmente estar em uma posição em que isso está ao nosso alcance.”
Marte, no entanto, continua nos planos da Nasa. A agência espera usar o programa Artemis como uma oportunidade de aprendizado sobre o que seria necessário para viver fora da Terra. As missões Artemis se concentrarão na coleta de dados científicos sobre a Lua e seus recursos, e, eventualmente, os astronautas construirão uma base lá, cujo projeto a Nasa revelou na última semana.
O posto avançado lunar oferecerá aos astronautas um ambiente no espaço profundo para viver, trabalhar e realizar experimentos que poderão ser aplicados à vida em Marte.

A Nasa também afirmou que pretende usar o programa Artemis para criar uma “economia lunar”. A agência espera que os recursos da Lua, como o gelo presente em crateras geladas e os minerais lunares, possam ajudar a sustentar bases e talvez criar oportunidades de negócios para empresas. Qualquer indústria provavelmente estará voltada para a sustentabilidade da exploração lunar.
“Quando pensamos na economia espacial, ela não estará tão centrada na Terra”, disse Clayton Swope , vice-diretor do Projeto de Segurança Aeroespacial do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. “A longo prazo, porém, provavelmente chegaremos a um ponto em que extrairemos valor de algo no espaço que também tenha valor no espaço. Então, quando penso em coisas como água na Lua, isso provavelmente terá valor quando houver atividade acontecendo além da Terra.”
Embora o programa Artemis tenha começado no primeiro mandato de Trump, alguns dos principais veículos para o programa estão em desenvolvimento há décadas. Nesse período, o cenário geopolítico mudou: a China fez progressos significativos em seu programa espacial e planeja levar humanos à Lua até o final da década.
Para legisladores e defensores de políticas militares agressivas, isso aumentou a urgência do retorno. Alguns, incluindo o ex-administrador da Nasa e ex-senador Bill Nelson, chegaram a afirmar que a China poderia reivindicar recursos que impediriam os EUA de explorar a Lua. Analistas alertam ainda que a China poderia militarizar a Lua, colocando em risco os ativos espaciais americanos.
É uma situação semelhante à corrida espacial durante a Guerra Fria. Mas a Nasa tem como objetivo principal a exploração pacífica. E embora a retórica em prol da cooperação internacional tenha perdido força sob a atual administração, o programa Artemis tem se concentrado principalmente em demonstrar que os EUA e as nações aliadas ainda podem realizar grandes feitos juntos.
O programa Apollo estava “ancorado na segurança nacional, na segurança econômica, na ciência e no que eu chamaria de prestígio”, disse Swope. “Acho que esses são exatamente os mesmos motivos pelos quais continuamos querendo ir à Lua hoje.”






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