Alemanha passa a exigir aprovação prévia de postagens de militares.
O exército alemão também restringe uso de redes sociais em quartéis
AFP/ As Forças Armadas da Alemanha passaram a exigir aprovação prévia para conteúdos publicados por militares em redes sociais quando produzidos dentro de instalações militares, inclusive em contas pessoais. A medida, adotada em fevereiro, marca uma mudança em relação à estratégia anterior, que incentivava a exposição online para atrair recrutas.
Nos últimos anos, a Bundeswehr usou redes sociais como ferramenta de recrutamento, com conteúdos institucionais sobre funções, equipamentos e treinamentos. Paralelamente, soldados — sobretudo os mais jovens — passaram a publicar vídeos de rotina, exercícios e interações com armamentos, além de conteúdos informais.
A exposição ampliou a visibilidade da vida militar e ajudou a atrair a geração Z, mas também gerou preocupações. Com a nova política, qualquer material gravado em quartéis ou outras instalações precisa de autorização prévia de superiores.
Segundo o Ministério da Defesa, a mudança busca reforçar a segurança e evitar o acesso a informações sensíveis por potências estrangeiras. A regra também limita a atuação espontânea de militares como influenciadores digitais.
Para alguns criadores de conteúdo, a decisão reflete tentativa de controle de imagem.
— O Exército percebeu que não favorecia sua imagem ao permitir que as pessoas fossem excessivamente relaxadas na comunicação —afirma Mirco Liefke.
Autoridades, por outro lado, defendem a medida como necessária para segurança operacional. Influenciadores militares também devem deixar claro que suas contas não são oficiais.
— Eu diria que, para preservar a liberdade, preciso restringi-la um pouco — disse Marcel Bohnert.
Recrutamento e pressão geopolítica
A mudança ocorre em meio ao esforço europeu de reforço militar diante da postura da Rússia e da incerteza sobre o papel dos Estados Unidos na segurança do continente. A Alemanha estabeleceu a meta de adicionar 80 mil militares ativos e 150 mil reservistas até 2035. O chanceler Friedrich Merz afirmou que pretende construir o “maior exército convencional” da Europa.
O recrutamento segue voluntário, mas homens de 18 anos passaram a responder questionários sobre interesse em servir.
As redes sociais continuam relevantes nesse processo. Segundo o pesquisador Martin Elbe, “a internet foi a fonte de informação mais importante para os candidatos e — surpreendentemente — os amigos são a segunda fonte mais importante”. Um estudo de 2022 indicou que 12% dos candidatos dependiam das redes como principal fonte de informação.
Mesmo assim, o novo controle já impacta a produção de conteúdo. Perfis reduziram a frequência de postagens, e parte dos militares evita comentar a mudança. Para Artem Meininger, a medida corrige distorções.
— Quando veem um uniforme, não necessariamente sabem que não é oficial.
Influenciadores mais consolidados, como o comandante de tanque Joshua Krebs, conhecido como Cinematic Sergeant e com cerca de 500 mil seguidores no TikTok, já operavam sob regras de aprovação e não devem ser diretamente afetados.
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