Infarto em jovens cresce 150% no Brasil
Este número alerta para um risco genético silencioso
Reprodução Os casos de infarto entre brasileiros com menos de 40 anos cresceram cerca de 150% desde o início dos anos 2000, segundo dados do Ministério da Saúde.
O avanço chama atenção da comunidade médica, principalmente porque muitos desses pacientes não apresentam fatores de risco clássicos como obesidade, diabetes ou tabagismo. A doença arterial coronariana — principal causa de morte no país — ainda é frequentemente associada ao envelhecimento.
No entanto, pessoas entre 30 e 39 anos já representam mais de 15% dos casos de infarto. Além disso, quase 10% dos adultos entre 18 e 39 anos apresentam sinais precoces de risco cardiovascular, como hipertensão e colesterol elevado.
O primeiro sinal pode ser grave
De acordo com o cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, parte dos casos está relacionada a doenças cardiovasculares hereditárias ainda não diagnosticadas. Segundo ele, muitos jovens não se enquadram nos critérios tradicionais de risco e, por isso, deixam de ser investigados de forma aprofundada. Quando existe carga genética relevante, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave, como um infarto precoce.
Histórico familiar de infarto antes dos 55 anos em homens ou 65 anos em mulheres, morte súbita ou doença coronariana em parentes de primeiro grau são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
Exame genético pode antecipar risco
Uma das ferramentas que vêm ganhando espaço é o Escore de Risco Poligênico para Doença Coronariana. O teste analisa milhares de variantes genéticas associadas ao desenvolvimento de aterosclerose e eventos cardíacos ao longo da vida. A partir de amostra de saliva ou sangue, é possível estimar o risco individual antes mesmo do surgimento de alterações clínicas. O exame deve ser solicitado por profissional de saúde, responsável também pela interpretação dos resultados. Segundo Bittencourt, pessoas com escore elevado podem ter risco significativamente maior de desenvolver doença coronariana, independentemente da idade ou do estilo de vida. A informação permite intervenções mais precoces, com estratégias personalizadas de prevenção. Ele reforça, porém, que genética não é sentença. É ferramenta. Identificar risco cedo amplia as chances de evitar eventos potencialmente fatais.
Atenção aos sintomas
Especialistas alertam que dor no peito, falta de ar, suor excessivo, náusea e dor irradiada para braço ou mandíbula exigem atendimento médico imediato — em qualquer idade. O avanço da medicina personalizada, aliado à conscientização sobre histórico familiar e hábitos saudáveis, é apontado como caminho para frear o crescimento dos infartos em jovens no Brasil. E aqui vai um ponto direto: juventude não é blindagem biológica. Se há histórico na família, investigar não é exagero — é responsabilidade.
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