Oposição questiona “base secreta” da China
Deputados da oposição cobram esclarecimentos do ministro Mauro Vieira sobre presença de base chinesa apontada pelo Congresso dos EUA
ministro Mauro Vieira /Hugo Barreto/Metrópoles Integrantes da oposição ao governo Lula na Câmara questionam o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sobre a suposta existência de uma “base militar secreta” da China em território brasileiro.
Os requerimentos, assinados pelos deputados Evair Vieira de Melo (PP-ES) e Gustavo Gayer (PL-GO), solicitam o envio de um pedido de informações ao ministro e a convocação de Mauro Vieira para prestar esclarecimentos à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.
A existência, desde 2020, de uma base militar chinesa em Salvador, na Bahia, para operações espaciais e uso de telescópios foi apontada em relatório do Comitê Seleto sobre a China, criado pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
O documento afirma que a unidade faz parte de uma rede de pelo menos 11 bases chinesas instaladas em países da América Latina, destinada a coletar informações e ampliar a capacidade bélica do Exército Popular de Libertação (PLA).
deputado Evair Vieira de Melo deputado Gustavo Gayer
Em seu requerimento, o deputado Evair Vieira de Melo questiona “a existência de tratado, acordo internacional, memorando de entendimento ou qualquer instrumento diplomático formal relacionado às referidas iniciativas”.
O parlamentar também pede informações sobre a natureza jurídica do eventual acordo e se existe previsão de “compartilhamento de dados, tecnologia, infraestrutura, capacitação técnica ou acesso a instalações estratégicas situadas em território brasileiro”.
“Segundo o referido documento [do Congresso dos EUA], a denominada ‘Tucano Ground Station’ possuiria capacidades técnicas compatíveis com operações de rastreamento orbital, transmissão de dados e monitoramento de objetos espaciais, podendo apresentar potencial de uso dual, isto é, aplicável tanto a finalidades civis quanto estratégicas”, observa o deputado.
“Não se trata de aderir automaticamente a narrativas externas, tampouco de questionar, de forma precipitada, a legitimidade de cooperações científicas internacionais — prática consolidada e desejável no desenvolvimento tecnológico brasileiro. O que se busca é assegurar que tais parcerias ocorram sob pleno controle soberano do Estado brasileiro, com transparência institucional, observância das normas constitucionais e adequada proteção dos interesses nacionais”, argumenta Vieira de Melo.
Já o deputado Gustavo Gayer cobra a presença do ministro Mauro Vieira em audiência na Comissão de Relações Exteriores.
O parlamentar quer esclarecimentos em relação às medidas adotadas pelo governo brasileiro junto aos EUA após a divulgação do relatório e sobre “mecanismos de salvaguarda de soberania” no caso da existência de acordos desse tipo com a China.
“Ainda que o teor do documento não tenha sido confirmado pelas autoridades brasileiras, sua divulgação produz efeitos diplomáticos e estratégicos concretos. A simples menção a estruturas militares estrangeiras em território nacional pode impactar a percepção internacional sobre o posicionamento geopolítico do Brasil, influenciar relações bilaterais com parceiros tradicionais e suscitar questionamentos em fóruns multilaterais”, afirma Gayer.
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