OPINIÃO & OPINIÃO

Renan Santos, o candidato tigrinho, é a versão 2026 de Pablo Marçal

Bernardo Mello Franco

Foto: Leco Viana/Thenews2/Agência O Globo
Renan Santos, o candidato tigrinho, é a versão 2026 de Pablo Marçal
A eleição presidencial deu palco a um novo aspirante a outsider.

É Renan Santos, chefe da tropa do MBL. Sem tempo de TV, o candidato do Missão aposta em vídeos provocativos e propostas mirabolantes para chamar a atenção nas redes. É a versão 2026 do coach Pablo Marçal.
Renan defende uma típica plataforma de extrema direita. Prega a extinção de benefícios sociais, o fim de políticas para minorias e o sinal verde para a matança policial.
No lançamento da campanha, agitou a claque com uma apologia do extermínio.
“Ninguém vai roubar nada do que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”, bradou.
Os seguidores, quase todos homens, responderam em coro: “Prendeu, matou! Prendeu, matou!”.
O presidenciável abandonou a faculdade de Direito, mas sabe que a ideia é inconstitucional.
Seu objetivo é chocar, causar polêmica e estigmatizar os críticos como defensores de bandidos. Já deu certo com um ex-juiz que prometia acabar com o crime à base do “tiro na cabecinha”.
A exemplo de Marçal, o original, Renan investe no insulto para tentar desestabilizar os adversários.
No evento do último sábado, chamou Flávio Bolsonaro de “mongoloide” e Lula de “cachaceiro senil”. Falta convencer um dos rivais a revidar com uma cadeirada.
Embora se venda como novidade, o candidato segue a mesma cartilha de outros arrivistas da nova direita latino-americana. “Sou Milei na forma e Bukele no conteúdo”, resumiu, meses atrás.
Do autocrata de El Salvador, copiou a proposta de construir megapresídios.
Do bufão argentino, imita a pose de roqueiro e uso de um felino como símbolo de campanha.
A diferença é que Milei gosta de se apresentar como leão, enquanto Renan prefere a onça.
Suas ideias lembram mais o jogo do tigrinho, que promete ganhos fabulosos ao alcance de um clique.
Em vídeo recente, o presidenciável assegurou: “No meu governo, você vai ter iPhone”.
Em seguida, jurou que todo eleitor ficará “magro e saudável”. Seu programa garante que ele vai erradicar as favelas, eliminar 70% dos municípios e criar uma reserva nacional em bitcoin.
Com 3% no último Datafolha, Renan inovou ao cobrar ingresso no lançamento da campanha.
bilhete VIP, a R$ 1 mil, dava direito a “open bar”. O “pacote onça”, por até R$ 7 mil, incluía “lounge exclusivo” “almoço reservado”.
Se faltar voto, a aventura do candidato tigrinho já terá sido um bom negócio.
Bernardo Mello Franco



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