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Maringá,01/06/2026

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OPINIÃO & OPINIÃO

Mediocridade premiada

O que fizeram com o Hino Nacional Brasileiro??

Reprodução/TVglobo/
Mediocridade premiada

Quando digo que boa parte da nossa cultura popular virou um gigantesco concurso de mediocridade premiada, as tietes aparecem correndo como guardas reais defendendo a honra da coroa. Aliás, existe pouca diferença entre fã de artista e fiel de seita política ou religiosa.
Ambos os grupos acreditam que seu líder é incapaz de errar, mesmo quando o flagrante está acontecendo em alta definição e com áudio estéreo.
Não sou fã do Belo nem da Alcione. Nunca fui. Nada pessoal, apenas nunca encontrei motivo para transformar nenhum dos dois em patrimônio cultural.
Mas a apresentação do Hino Nacional conseguiu superar qualquer expectativa negativa que eu pudesse ter.
Porque errar uma música própria já seria constrangedor, mas tropeçar feio em uma música que praticamente todo brasileiro escuta desde a infância exige um comprometimento com a desatenção e desrespeito que merece um estudo científico.
O mais fascinante é que estamos falando de artistas profissionais. Pessoas cuja atividade principal consiste em cantar.
Eles não foram sorteados na arquibancada e nem eram turistas perdidos procurando o banheiro do estádio. Eram os convidados oficiais para executar uma única tarefa. Uma só. Não eram três hinos em sânscrito seguidos de uma ópera de Wagner.
Era o Hino Nacional Brasileiro. E aí começou o espetáculo paralelo.
Apesar da cafonice surgem os defensores de Alcione, que, convenhamos, exala arrogância.
"Ah, mas ela tem uma carreira brilhante."
Ótimo. E daí? Se um piloto pousar um avião no estacionamento do shopping, a quantidade de horas de voo anteriores não impede o estrago.
"Ai, mas ela é uma lenda."
Jura? Só que a letra continua a mesma para lendas, mortais e entregadores de aplicativo.
"Ai, mas ela vendeu milhões de discos."
E eu conheço restaurantes lotados que servem comida horrível.
O curioso é que existe uma espécie de arrogância que só a fama produz.
Em algum momento certas celebridades concluem que preparação é para principiantes. Ensaiar é para amadores. Conferir a letra, pelo visto, é apenas para gente insegura.
Afinal, quando você passa décadas acreditando que é genial, começa a acreditar que o universo fará todo o trabalho por você.
Pois é, ontem não fez.
E sejamos sinceros: se era para produzir um momento histórico de constrangimento nacional, eu teria escalado o Manoel Gomes. Pelo menos a tragédia viria acompanhada de criatividade. O público sairia confuso, mas feliz e gargalhando.
O Brasil é um país tão criativo que conseguiu reinventar o conceito básico de preparação. Antigamente as pessoas se preparavam antes, mas hoje preferem improvisar durante e justificar depois. Dá menos trabalho e rende mais engajamento, não é mesmo?

Extraído da TOCA DO LOBO.




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