Seja bem-vindo
Maringá,01/06/2026

  • A +
  • A -

Viagens com dinheiro público geram polêmica.

Fórum de Lisboa reúne políticos e magistrados e reacende debate sobre uso de verba pública

FolhadeSãoPaulo/PortalEdsonValerio
Viagens com dinheiro público geram polêmica. Reprodução Oeste/

Levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo aponta que ao menos 135 autoridades e servidores públicos foram autorizados a participar do Fórum de Lisboa, em Portugal, evento ligado ao ministro Gilmar Mendes, do STF. Parte das despesas com passagens e diárias será paga com dinheiro público. Apenas TCU e Tribunal de Justiça do Piauí somam R$ 692 mil em diárias.
Ao vivo: Tecnologia, inovação e economia pautam debates no XIV Fórum de  Lisboa
O uso de dinheiro público para bancar viagens de autoridades e servidores brasileiros ao Fórum de Lisboa, em Portugal, voltou a provocar discussão nacional.
 evento, ligado ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, reúne políticos, magistrados, integrantes de tribunais, representantes do governo e nomes do meio jurídico.
Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, ao menos 135 autoridades e funcionários públicos receberam autorização para participar do encontro. Parte das despesas com passagens e diárias internacionais será custeada pelos cofres públicos.
O fórum começa nesta segunda-feira (1º) e também é conhecido informalmente como “Gilmarpalooza”, apelido usado por críticos em referência à quantidade de autoridades brasileiras que participam do evento em Lisboa.
A reportagem da Folha identificou autorizações publicadas em diários oficiais e em páginas de transparência pública. O levantamento mostra que o deslocamento envolve representantes de diferentes órgãos dos Três Poderes.
Entre os valores já identificados, chamam atenção os gastos do Tribunal de Justiça do Piauí e do Tribunal de Contas da União. Somente esses dois órgãos somam R$ 692 mil em diárias internacionais.
No caso do TJ do Piauí, a comitiva autorizada tem 13 integrantes, com previsão de R$ 392 mil em diárias. Já o TCU autorizou a ida de 13 representantes, incluindo quatro ministros, com gasto estimado em R$ 300 mil em diárias.
Debate sobre prioridade no uso do dinheiro público
A presença de autoridades brasileiras em eventos internacionais não é ilegal por si só. Viagens oficiais podem ocorrer quando há justificativa institucional, interesse público e previsão orçamentária.
O ponto que provoca questionamento é outro: em um país com tantas demandas urgentes em saúde, educação, segurança, infraestrutura e serviços básicos, a sociedade cobra explicações mais claras sobre o retorno concreto dessas viagens.
Quando uma comitiva numerosa é enviada para fora do país com recursos públicos, o cidadão tem direito de saber qual será o benefício prático da despesa, quais temas serão tratados, quais resultados serão apresentados e por que a participação presencial é indispensável.
A crítica cresce ainda mais porque o evento ocorre fora do Brasil, em uma capital europeia, com custos elevados de deslocamento e estadia.
Organização defende caráter acadêmico
A organização do Fórum de Lisboa defende que o encontro tem caráter acadêmico e jurídico, reunindo especialistas e autoridades para debater temas relevantes ao Brasil e ao mundo.
Também argumenta que cada órgão público possui autonomia para decidir sobre a participação de seus representantes e sobre o uso das verbas destinadas a viagens oficiais.
Mesmo assim, a polêmica permanece. Para críticos, o evento reúne autoridades que poderiam discutir os mesmos temas em território brasileiro, com menor custo ao contribuinte.
Transparência precisa ir além da autorização
O caso reforça a importância dos portais de transparência. Foi por meio de diários oficiais e registros públicos que parte das autorizações e despesas veio à tona.
Mas publicar a autorização não basta. A população também precisa ter acesso a informações completas sobre os gastos finais, relatórios de participação, justificativas, agenda cumprida e resultados obtidos.
Em qualquer democracia, o dinheiro público deve ser tratado com rigor. Viagem oficial não pode parecer privilégio. Precisa demonstrar finalidade, necessidade e retorno.

Vamos pensar um pouco...O brasileiro comum paga imposto em tudo: no alimento, no combustível, na conta de luz, no remédio, no salário e até no consumo mais básico.
Por isso, quando descobre que autoridades e servidores viajam ao exterior com dinheiro público, a pergunta é inevitável: qual é o retorno real para a população?
Não se trata de negar a importância do debate jurídico, acadêmico ou institucional.
O problema é a falta de senso de prioridade.
Enquanto hospitais enfrentam filas, escolas precisam de estrutura, estradas cobram manutenção e famílias lutam para fechar o mês, viagens internacionais bancadas pelo contribuinte precisam ser explicadas com muito mais clareza.
Se há interesse público, que se apresente o resultado.
Se há aprendizado, que se mostre o relatório.
Se há benefício ao país, que ele seja demonstrado de forma objetiva.
O que não dá é para o cidadão trabalhar, pagar imposto e ficar apenas com a conta, enquanto os benefícios dessas agendas parecem distantes da vida real de quem sustenta o Estado. E ponto.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.