OPINIÃO & OPINIÃO
Fácil fazer vôlei no Brasil: imoralidade 'dentro da lei'
Os covardes culpam as circunstâncias, os hipócritas responsabilizam terceiros e jogadoras pagam a conta
O vôlei com conhecimento e independência jornalística
Devo não nego, pago quando puder, é a expressão de quem quer dar calote.
A prática é comum no vôlei brasileiro.
E faz escola, como Maringá, de Aldori Junior.
Mas agora o que chama a atenção é a criatividade dos donos de projeto que juntam o útil ao desagradável empurrando a dívida para terceiros com uma pitada de irresponsabilidade e falta de ética.
Como é fácil, ainda que vergonhoso, fazer vôlei no Brasil.
É uma espécie de ‘faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço’.
O conhecido ditado cai como luva para Londrina, cúmplice do técnico.
Só que enquanto uns riem, outros choram.
A CBV, Confederação Brasileira de Vôlei, de braços atados, permite a imoralidade 'dentro da lei'.
Mas, segundo o blog apurou, a manobra ameaça e coloca em risco o cargo de Aldori Junior que ano passado dirigiu a seleção sub-26.
vôlei brasileiro.
De fato o comportamento antiético e a conduta que desrespeita os princípios morais não combinam com José Roberto Guimarães.
O técnico, devedor confesso, deixa Maringá pendurado: R$ 180 mil para jogadoras e comissão técnica.
Que bonito.
A Prefeitura de Londrina, secretário de esportes e responsáveis pelo projeto abriram as portas, receberam o técnico e estão rindo à toa.
Do outro lado, boa parte das atletas que trabalharam a última temporada em Maringá com o rapaz em questão, continuam sem receber, justamente no período de férias.
Interessante e triste nesse processo é a desunião e falta de harmonia entre as jogadoras, a classe de atletas sendo direto.
Quem fica e vai para Londrina, não fala nada, rabo preso, como se no futuro não pudessem passar pelo mesmo.
Quem sai ou não está nos planos é que se vire para receber.
Resumindo: cada um olha para o próprio umbigo.
Londrina, cúmplice do técnico, escolheu o pior caminho acobertando Aldori Junior.
Não há futuro.
Londrina, cúmplice do técnico, foi com muita sede ao pote, algo que o amadorismo dos envolvidos explica.
Por que não esperar, Aldori, devedor confesso, pagar a dívida, com os recursos que recebeu dos patrocinadores em Maringá e aí sim anunciar a parceria?
Não seria mais correto? Mas não.
Londrina, cúmplice do técnico, resolveu assumir o saldo negativo deixado pelo mesmo e usará, segundo consta, a futura verba para quitar os atrasados.
Eternas promessas que os prints não desmentem.
Londrina, cúmplice do técnico, os envolvidos e Aldori terão que ter muita casca daqui para frente.
Não será simples.
Os covardes culpam as circunstâncias. O hipócritas responsabilizam terceiros.
Mas não há como sair um impune.
O blog foi procurado nos últimos dias e recebeu uma série de denúncias que serão apuradas.
O caso da rifa, por exemplo, que teria sido exigência para jogar os torneios e pagar transferências?
Os pais bancando R$ 3 mil para os filhos participarem das competições?
Há quantos anos Maringá, exímio representante e campeão dos Jogos Escolares, com a conhecida manobra das matrículas, não ganha nada na base?
E não revela ninguém.
A última foi Gabi Cândido em 2014, do saudoso Dema.
Alguém já parou para contar se existem mesmo 500 crianças no tal projeto?
Não é o que dizem os eventos políticos, já devidamente encaminhados com fotos.
A proximidade política do vereador do PT, figurinha carimbada nos jogos no Chico Neto, distanciou o time do gestão municipal.
E como não falar na exigência e obrigação da base em comparecer a um suposto evento com patrocinador, quando na verdade era campanha política de um determinado vereador?
Há registros.
E quem mora em repúblicas?
A sensação é que a mudança no fundo pode ter envolvimento político com promessa de campanha e novos aliados.
Os responsáveis por Londrina, cúmplice do técnico, e os envolvidos, dentro e fora de quadra, vão precisar de muita sorte.
O que começa errado, acaba errado.
A conferir.
Bruno Voloch
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