Alunos de Medicina relatam ofensas de colegas.

Estudantes que apoiaram Lula (PT) teriam sido vítimas de xingamentos e bullying virtual

Catarina ScortecciAssessoria/Positivo/Unicesumar/UFPR
Alunos de Medicina relatam ofensas de colegas. Reprodução UNICESUMAR

Estudantes do curso de medicina da Universidade Positivo em Curitiba que se posicionaram a favor da reeleição do presidente Lula (PT) relatam ter sofrido ofensas e bullying virtual de colegas.

Em capturas de tela enviadas à reportagem e também encaminhadas ao Ministério Público do Paraná, alunos aparecem  trocando mensagens em grupos de WhatsApp com xingamentos e deboches a colegas que teriam votado no candidato do PT, que saiu vencedor nas urnas. Há também "listas de petistas", e uma enquete pergunta sobre eventual expulsão de uma estudante do grupo com as opções "sim" e "óbvio".
Uma das mensagens sugere que determinada aluna nem apareça na aula na segunda-feira, 26, logo após o resultado da eleição.
Captura de tela de conversa de aplicativo de mensagens com duas mensagens contendo ofensas e desejos negativos direcionados a uma pessoa não identificada, com nomes ocultados. A primeira mensagem expressa autodepreciação e insulto a outra pessoa da mesma faculdade, recebendo sete reações de coração. A segunda mensagem deseja que essa pessoa perca o benefício do Prouni, acompanhada de emojis de risada e pontos de exclamação, com duas reações.
"Eu devo ser muito burro para estar na mesma faculdade que a [nome de uma aluna]" e "Tomara que a [nome da aluna] perda o Prouni dela" estão entre as mensagens dos estudantes do curso, cuja mensalidade fica em torno de R$ 12 mil.
"São tudo acéfalas", "Lembrem do amor de vcs para atender pobre" e "Se quiser militar, vai para federal", escrevem outros.
"Se treinasse com a mesma intensidade com que defende o Lula, já estaria magra" e "As gorda achando que vai ter bolsa Mounjaro, kkk", continuam os estudantes.

Ao Ministério Público, os denunciantes dizem que alunos pagantes e bolsistas foram alvos de "discursos de ódio, discriminação, gordofobia e aporofobia". Também informam que as mensagens foram trocadas ao longo da campanha eleitoral e após o resultado do pleito.
Procurada, a Universidade Positivo informou em nota que não recebeu qualquer registro oficial sobre os casos, mas que "repudia qualquer forma de discriminação, intolerância ou desrespeito" e tem compromisso com "um ambiente plural, pautado pelo respeito às diferenças, à diversidade de pensamento e à convivência democrática".
A instituição também pede para que as vítimas façam seus relatos nos canais oficiais, com garantia de sigilo, para que os fatos possam ser formalmente apurados. "A universidade também está à disposição para acolher e orientar os estudantes que se sentirem afetados pela situação", segue a nota.
Outros casos ligados às eleições foram registrados em ao menos cinco instituições de ensino superior no Paraná até a tarde desta terça-feira (3), segundo a Aemed-PR, a Associação dos Estudantes de Medicina.

Alunos de medicina da universidade privada UniCesumar, em Maringá, chegaram a ser expulsos da instituição por ataques a estudantes bolsistas após o resultado das eleições.
Mensagens publicadas em grupo de WhatsApp de estudantes de medicina também trazem imagens e expressões associadas ao nazismo.
A UniCesumar publicou nota informando ter concluído a sindicância interna sobre as denúncias em 30 de outubro.
Foram aplicadas advertências, suspensões e desligamentos do quadro discente da instituição, conforme a gravidade de cada conduta apurada.
A instituição não especifica quantos alunos foram punidos e nem informa o nome dos envolvidos.
Universidade Federal do Paraná - O que saber antes de ir (2026)
Na UFPR (Universidade Federal do Paraná), houve vandalismo no Grêmio de Arquitetura e Urbanismo na noite de 26 de outubro, com despejo de substâncias e pichações nas paredes e móveis, como o número de urna do candidato derrotado, por exemplo. A universidade acionou a Polícia Federal.
Em um vídeo gravado após o episódio, a vice-reitora da UFPR, Camila Fachin, afirmou que "a democracia exige maturidade para conviver com as diferenças, respeitar as escolhas, e aceitar os resultados, mesmo quando não correspondem às nossas expectativas". Ela é filha do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin.

Em todo o país, estudantes universitários puxaram os primeiros atos nas ruas de apoio à reeleição de Lula logo após o resultado do primeiro turno.





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