Delegada é presa suspeita de receber propina do PCC

Polícia prende delegada do Pará por suspeita de proteger líder do PCC em troca de dinheiro

CarlosCarone/Metropoles/PCPernanbuco/
Delegada é presa suspeita de receber propina do PCC Maria Virgínia, presa e Renato Henrique do Carmo / Reprodução

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, foi presa nesta quinta-feira, 15 de outubro, em um hotel no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília (DF). Ela é investigada por suspeita de receber R$ 50 mil para fornecer informações sigilosas e proteção institucional a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A prisão faz parte da Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investiga uma organização suspeita de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, o grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões.

A polícia identificou uma possível ligação entre a delegada e Renato Henrique do Carmo, conhecido como Gordão, apontado como liderança do PCC na região de Ipojuca, em Pernambuco.

Conversas revelaram pagamento de R$ 50 mil

As suspeitas envolvendo Maria Virgínia surgiram após a análise do celular de Renato Henrique do Carmo, apreendido durante uma investigação iniciada em janeiro de 2025.

Na ocasião, Renato foi preso, e os policiais obtiveram autorização judicial para extrair os dados do aparelho. As conversas revelaram contatos com outras pessoas investigadas e referências a uma possível colaboração da delegada com o grupo.

Entre as mensagens analisadas, os investigadores identificaram a menção a uma transferência bancária de R$ 50 mil.

Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, a delegada teria recebido vantagens financeiras para fornecer informações protegidas por sigilo, permitir acesso a sistemas restritos de segurança pública e oferecer proteção a integrantes da organização.

A investigação também aponta que Maria Virgínia e Renato mantinham um relacionamento amoroso.

Operação também prendeu suspeito apontado como líder do PCC

Renato Henrique do Carmo foi preso novamente nesta quinta-feira (15), em Pernambuco, durante a mesma operação.

Apontado pelos investigadores como liderança da facção na região de Muro Alto, em Ipojuca, ele havia sido preso em 2025, mas estava em liberdade.

A Operação Sinalagma teve três mandados de prisão e 11 de busca e apreensão, além de medidas para bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens.

As diligências alcançaram diferentes estados, incluindo Pernambuco, Pará, São Paulo e Distrito Federal.

No Pará, foram realizadas buscas na residência da delegada e no gabinete onde ela trabalhava, na Divisão de Polícia Administrativa, em Belém.

Investigação identificou movimentação de mais de R$ 14 milhões

A apuração financeira identificou suspeitas de utilização de empresas, documentos falsos e contas bancárias de terceiros para movimentar dinheiro e ocultar a origem dos recursos.

Os policiais também analisaram dados bancários e relatórios de inteligência financeira relacionados a operações consideradas incompatíveis com a renda declarada dos investigados.

De acordo com a investigação, o esquema teria movimentado mais de R$ 14 milhões, valor associado às atividades atribuídas ao grupo, e não exclusivamente à delegada.

Maria Virgínia é investigada por possíveis crimes de corrupção, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa. Até a divulgação das informações sobre as prisões, a defesa da delegada não havia apresentado manifestação pública.




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