1.500 candidaturas são barradas pela Justiça.
Cunha, Arruda e Garotinho estão entre candidatos com registros indeferidos
Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil e Wilson Dias/Agência Brasil Mais de 1.500 candidaturas às eleições de 2026 haviam sido indeferidas pela Justiça Eleitoral até a noite desta sexta-feira (18). Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ainda podem sofrer alterações com o julgamento dos recursos.
Mais de 90% dos registros foram barrados por problemas como ausência de documentos, irregularidades na filiação partidária, falta de comprovação do domicílio eleitoral ou pendências com a Justiça Eleitoral.
Outras 108 candidaturas foram indeferidas por causas de inelegibilidade previstas na legislação. Nessa categoria estão situações alcançadas pela Lei da Ficha Limpa, que pode impedir a participação de pessoas condenadas por órgãos colegiados, entre outras hipóteses legais.
A relação inclui políticos conhecidos nacionalmente que tentavam retornar às urnas em 2026, como Eduardo Cunha, José Roberto Arruda e Anthony Garotinho.
Eduardo Cunha tenta voltar à Câmara
Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, atualmente filiado ao Republicanos, teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.
A decisão considerou os efeitos da cassação do mandato de Cunha, ocorrida em 2016. A contagem do período de inelegibilidade, porém, leva em consideração o encerramento do mandato para o qual ele havia sido eleito, em 31 de janeiro de 2019. Com isso, o impedimento permaneceria válido até fevereiro de 2027.
Cunha acumulou condenações por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Parte dos processos relacionados à Operação Lava Jato foi posteriormente anulada.
Mesmo após o indeferimento, o ex-deputado afirmou que manteria a campanha. A decisão ainda pode ser contestada no TSE.
José Roberto Arruda está inelegível até 2030
O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD), de 72 anos, também teve o pedido de candidatura indeferido.
O TRE-DF entendeu que Arruda permanece inelegível até 2030 por causa de condenações relacionadas ao período em que comandou o governo distrital. A defesa sustenta que o impedimento teria terminado em julho deste ano e anunciou que recorrerá.
Arruda foi um dos principais envolvidos no escândalo de corrupção revelado em 2009, quando imagens mostraram o então governador recebendo R$ 50 mil. Na época, ele afirmou que o dinheiro seria destinado à compra de panetones para famílias carentes.
O político chegou a ser preso em 2010 e perdeu o cargo semanas depois.
Garotinho tem candidatura barrada no Rio
No Rio de Janeiro, o TRE-RJ indeferiu por unanimidade o registro do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos).
Ele pretendia disputar novamente o governo estadual, mas a Justiça Eleitoral entendeu que permanece enquadrado na Lei da Ficha Limpa até 2028.
A decisão está relacionada a uma condenação por irregularidades em um programa da área da saúde. De acordo com a acusação apresentada no processo, o esquema teria provocado desvio de aproximadamente R$ 234 milhões entre 2005 e 2006.
Garotinho governou o Rio de Janeiro entre 1999 e 2002 e já havia enfrentado o indeferimento de outra candidatura ao governo em 2018.
Cristiane Brasil, Pastor Everaldo e Pablo Marçal aparecem na lista

Também teve o registro indeferido Cristiane Brasil (DC), ex-deputada federal e filha do ex-deputado Roberto Jefferson. Ela buscava retornar à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro. A decisão ainda pode ser contestada no TSE.
O Pastor Everaldo (Podemos), candidato à Presidência da República em 2014, tentava concorrer como suplente de senador. O registro foi indeferido pelo TRE-RJ em razão de decisão relacionada ao envolvimento com organização criminosa.
No Acre, o ex-governador Gladson Cameli (PP) teve a candidatura ao Senado barrada após condenação por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O influenciador Pablo Marçal (PRTB) também teve o registro de candidatura à Presidência indeferido. Ele havia sido declarado inelegível até 2032 por uso indevido dos meios de comunicação na campanha municipal de 2024.
Indeferimento pode ser revertido
O indeferimento do registro não representa necessariamente a exclusão definitiva da disputa. Das aproximadamente 1.500 candidaturas barradas, mais de mil ainda estavam no prazo para apresentar recurso ou aguardavam o julgamento de contestações.
Enquanto houver recurso pendente, determinadas candidaturas podem continuar realizando campanha e ter o nome mantido na urna. A validade dos votos dependerá da decisão definitiva da Justiça Eleitoral.
O ex-deputado federal Fernando Francischini (Solidariedade) conseguiu manter sua candidatura à Câmara dos Deputados.
O Ministério Público Eleitoral sustentava que o prazo de inelegibilidade ainda não havia terminado. O TRE-PR, entretanto, contrariou o parecer e confirmou o registro.
Francischini teve o mandato de deputado estadual cassado pelo TSE em 2021 por divulgar informações falsas contra as urnas eletrônicas durante as eleições de 2018.
O ex-senador Acir Gurgacz (PDT-RO) também conseguiu afastar o impedimento. Após uma decisão desfavorável no tribunal regional, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal e teve os direitos políticos restabelecidos, permitindo a candidatura ao Senado.
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