Patricia Coelho - Terapeuta

Quando “eu não sei fazer” vira um problema no relacionamento

Reprodução/Autor
 Quando “eu não sei fazer” vira um problema no relacionamento

“Amor, marca a consulta das crianças porque você sabe fazer isso melhor.”

“Me fala o que precisa comprar que eu vou ao mercado.”

“É só você me pedir que eu faço.”

Essas frases parecem pequenas. Mas existe uma dinâmica acontecendo em muitos relacionamentos que vai muito além de lavar louça, buscar os filhos ou fazer compras.

Uma pessoa executa algumas tarefas. A outra precisa pensar por duas.

É ela quem percebe que o material escolar está acabando, lembra da consulta, acompanha os compromissos dos filhos, sabe o que falta em casa, organiza as contas, lembra todo mundo de tomar o remédio e ainda precisa dizer ao parceiro o que precisa ser feito.

Isso é chamado de carga mental: o trabalho invisível de lembrar, antecipar, organizar e coordenar a vida familiar.

E aqui começa um problema que não fica restrito à organização da casa.

Um relacionamento entre dois adultos pode lentamente assumir uma dinâmica de responsável e dependente.
Um pergunta o que precisa fazer.
O outro precisa mandar.
Um espera.
O outro antecipa.
Um “ajuda”.
O outro continua responsável por fazer a vida funcionar.
A satisfação feminina quando a carga mental é compartilhada, tem relação direta na libido e intimidade do casal.
Porque é difícil relaxar e sentir que existe realmente uma parceria quando você precisa administrar o outro e não pode confiar se o outro vai mesmo fazer a parte dele.
O caminho não é simplesmente dividir uma lista de tarefas ao meio. É dividir responsabilidade.
Existe diferença entre dizer “me avisa quando precisar que eu leve nosso filho ao médico” e assumir a responsabilidade de acompanhar consultas, horários e necessidades dele sem depender de alguém lembrando.
Relacionamento saudável não precisa funcionar com 50% para cada lado todos os dias.
Existem momentos em que um carregará mais porque o outro está cansado, doente ou atravessando uma fase difícil.
O problema começa quando isso deixa de ser uma fase e vira o funcionamento normal da relação.
Então, em vez de perguntar apenas: “Meu parceiro me ajuda?”
Talvez exista uma pergunta mais importante: “Eu tenho um parceiro para dividir a vida ou alguém que só participa dela quando eu digo o que precisa ser feito?”
Porque parceria não é ajudar o outro a carregar uma responsabilidade que continua sendo dele.
                          É reconhecer que aquela vida pertence aos dois.

Se vocês perceberam que essa dinâmica já virou fonte de cobrança, ressentimento e distanciamento, procurem ajuda antes que o problema deixe de ser sobre as tarefas e passe a ser sobre o que vocês sentem um pelo outro.

Patrícia Coelho
Terapeuta e Mentora de Casais
Conheça meu trabalho patriciacoelhoterapeuta.com.br.






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