OPINIÃO & OPINIÃO
A nova quadrilha
Foi constrangedor testemunhar os ministros do STF tentando consertar a lambança em que se meteram
Às vezes melhor, às vezes pior, estava conseguindo acompanhar o xadrez do STF com certa facilidade.
Até a semana passada, quando o meio de campo embolou. De lá pra cá, foi ladeira abaixo.
Uma sucessão de vazamentos, investigações, relatórios, áudios, votos, uma ciranda veloz, cheia de reviravoltas e desencontros.
Como escreveu Drummond em sua “Quadrilha”: “João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.”
Os ministros do Supremo estão impondo 28 lances diferentes ao dia.
A gente vai fazer xixi e, quando volta, uma série de novas cartadas nessa cruza de “Succession” com “Game of thrones” onde ninguém parece ser totalmente santo.
Foi constrangedor testemunhar um dia inteiro dos ministros da maior Corte do país para tentar consertar a lambança em que se meteram.
Eles vão ser descontados em seus proventos pelo dia perdido de trabalho ou vamos pagar mais essa conta?
Que me desculpe o poeta, mas a realidade impõe uma quadrilha diferente: Moraes odeia Mendonça que odeia Dino, que teve decisão suspensa por Fachin, que se dá com Cármen, que não odeia ninguém.
Moraes ainda não explicou as mensagens, Mendonça advoga para Bolsonaro, Dino age em favor de Lula, Fachin é a tia do primário tentando organizar a turma enquanto rola a guerra de bolinha de papel e Cármen Lúcia parece ser a única que não tem rabo preso com Vorcaro, que não tinha entrado na história até outro dia.
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