Paraná registra seis feminicídios em 11 dias.

Feminicídios em diferentes regiões do Paraná expõem desafios na proteção às mulheres

Taroba/edsonvalerio.com.br
Paraná registra seis feminicídios em 11 dias. Reprodução Crédito: Jorge Leão

Seis mulheres foram vítimas de feminicídio no Paraná em um período de apenas 11 dias, segundo levantamento que reúne ocorrências registradas em diferentes regiões do Estado.
Os casos envolvem situações distintas, desde crimes cometidos por ex-companheiros que já eram alvo de medidas protetivas até ataques ocorridos fora do ambiente doméstico.
A sequência de mortes colocou novamente em discussão os mecanismos utilizados para prevenir a violência contra mulheres e os limites das medidas adotadas depois que situações de risco já foram identificadas.
Um dos casos ocorreu em Jandaia do Sul, onde Glaucia Pinheiro Martins de Oliveira, de 33 anos, foi morta pelo ex-companheiro.
A vítima tinha uma medida protetiva em vigor.
Segundo a investigação, o homem não aceitava o fim do relacionamento e vinha descumprindo a ordem judicial, inclusive utilizando transferências via Pix para enviar mensagens à ex-companheira.
Após o assassinato, ele tirou a própria vida.
Em Curitiba, Sebastiana Santos, de 53 anos, também foi assassinada pelo ex-companheiro dentro da lanchonete que mantinha.
Assim como no caso de Jandaia do Sul, havia uma determinação judicial para impedir a aproximação do suspeito.

Crimes também atingiram o interior

Aqui em Maringá, a médica Gassi Mazia, de 37 anos, foi assassinada dentro do próprio apartamento.
Conforme o laudo da Polícia Científica, ela sofreu 14 golpes de faca e foi esganada. O suspeito é o marido, que está preso.
O filho do casal, de apenas oito meses, estava no imóvel no momento do crime.

Já em Ramilândia, Rebeca Yasmin, de cinco anos, foi morta pelo próprio pai.
Segundo a investigação, o homem teria cometido o crime com a intenção de atingir a mãe da criança.
Outra ocorrência foi registrada em Nova Aurora.
A vítima foi identificada, mas as autoridades preservaram sua identidade.
Caso de Londrina teve características diferentes
O episódio mais recente ocorreu em Londrina, onde Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos, foi morta enquanto trabalhava na divulgação de uma academia.
A investigação aponta que o suspeito abordou a jovem e tentou estuprá-la.
Thaissa teria reagido e acabou sendo atacada. Um laudo divulgado nesta semana apontou 44 facadas.
O homem, também de 21 anos, foi preso e é investigado pelo crime.
A apuração também busca esclarecer o grau de conhecimento entre vítima e suspeito.
Segundo informações divulgadas durante a investigação, ele já havia procurado emprego na academia e conhecia o local.
Pesquisadores defendem revisão das estratégias de prevenção

Para a socióloga Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (LESFEM), os casos mostram que o enfrentamento à violência contra mulheres precisa envolver mais do que punições após os crimes.
O LESFEM mantém um monitoramento nacional de feminicídios e desenvolve pesquisas voltadas à prevenção, à responsabilização dos autores e à garantia de direitos às vítimas e seus dependentes.
Na avaliação da pesquisadora, situações como a de Londrina também exigem atenção aos protocolos de segurança em ambientes de trabalho e estabelecimentos comerciais, especialmente quando a violência parte de alguém que não apresentava, até então, um vínculo afetivo evidente com a vítima.
A sequência de casos no Paraná, em diferentes circunstâncias, coloca em evidência a necessidade de combinar prevenção, proteção, investigação e atendimento às mulheres em situação de violência, além do cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.




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