Dona de Doritos e Ruffles fecha fábricas nos EUA.
PepsiCo reorganiza negócio de snacks, fecha unidades e corta quase 20% dos itens nos EUA
PepsiCo fecha três fábricas - Foto: Divulgação | PepsiCo A PepsiCo, uma das maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo e responsável por marcas conhecidas como Doritos, Ruffles, Lay’s, Cheetos, Pepsi, Gatorade, Quaker e Tostitos, promove uma ampla reorganização de sua operação nos Estados Unidos.
O plano inclui fechamento de três fábricas, encerramento de diferentes linhas industriais e redução de quase 20% dos SKUs — itens e variações de produtos — comercializados no mercado norte-americano.
As medidas fazem parte de uma estratégia anunciada pela própria companhia para reduzir custos, aumentar produtividade e recuperar o desempenho de sua divisão de alimentos na América do Norte.
Importante: a reestruturação está concentrada nos Estados Unidos e não representa o encerramento das marcas Doritos, Ruffles ou Cheetos.
Menos produtos não significa fim de Doritos ou Ruffles
Uma das informações que mais chama atenção é a redução do portfólio.
A PepsiCo decidiu eliminar aproximadamente 20% dos SKUs comercializados nos Estados Unidos.
SKU é a identificação utilizada para cada item específico vendido por uma empresa. Um mesmo produto pode ter vários SKUs, considerando sabor, tamanho da embalagem, formato ou versão. Isso significa que a redução pode envolver produtos com baixa procura, sabores específicos, tamanhos de embalagem e outras variações.
Não significa, portanto, que 20% das grandes marcas da PepsiCo deixarão de existir.
Ao mesmo tempo em que enxuga parte do portfólio, a empresa continua lançando produtos e reformulando marcas importantes.
Fábrica de PopCorners fechou e 287 trabalhadores foram atingidos
Uma das unidades encerradas ficava em Liberty, no estado de Nova York, e estava ligada principalmente à produção do snack PopCorners. A fábrica empregava 287 pessoas.
A PepsiCo justificou a decisão afirmando que o ritmo de crescimento da linha, combinado com as condições do setor, não sustentava mais a manutenção daquela estrutura industrial.
O fechamento da fábrica, entretanto, não significou o desaparecimento do PopCorners. A produção foi transferida para outras operações e a marca continua no mercado.
Unidade de 55 anos também parou de produzir
Outro fechamento ocorreu em Rancho Cucamonga, na Califórnia. A fábrica da Frito-Lay possuía aproximadamente 55 anos de funcionamento e teve as atividades de produção encerradas dentro da estratégia de concentrar a fabricação em unidades consideradas mais eficientes.
A operação de distribuição permaneceu temporariamente no endereço depois do encerramento industrial.
Posteriormente, a PepsiCo também decidiu fechar essa estrutura logística.
Orlando também entrou na reorganização
A estratégia alcançou ainda uma operação da Frito-Lay em Orlando, na Flórida. A empresa interrompeu as atividades industriais da unidade no final de 2025 e programou também o encerramento de estruturas de armazenamento relacionadas à operação. Somados, os diferentes movimentos mostram que a companhia não está simplesmente retirando um ou outro produto das prateleiras.
Trata-se de uma reorganização da cadeia produtiva da PepsiCo Foods North America.
Consumidor mais preocupado com preço mudou mercado de snacks
A decisão ocorre num momento em que a indústria de alimentos dos Estados Unidos enfrenta mudança no comportamento do consumidor.
Com preços elevados, muitas famílias passaram a reduzir compras, procurar embalagens mais baratas ou substituir marcas tradicionais por opções de menor custo. O segmento de snacks da PepsiCo também enfrentou redução no volume vendido.
A companhia passou então a trabalhar em diferentes frentes: diminuir custos industriais, automatizar operações, simplificar o número de produtos e tornar alguns preços mais competitivos.
Automação e produtividade ganham espaço
A reorganização não acontece apenas com fechamento de fábricas. A PepsiCo anunciou maior investimento em automação, digitalização e simplificação de processos.
A estratégia é produzir com menor custo e utilizar parte das economias para ampliar investimentos em marketing, inovação e preço. A empresa também pretende direcionar o portfólio para tendências que ganharam força entre consumidores, incluindo produtos com mais proteína e fibras e fórmulas com ingredientes mais simples.
Grandes marcas continuam no centro dos planos
Apesar dos cortes, algumas das marcas mais conhecidas do grupo continuam recebendo investimentos.
Doritos, por exemplo, ganhou novas versões, enquanto Lay’s, Tostitos, Cheetos e PopCorners também passaram por lançamentos e reformulações.
A própria PopCorners, cuja fábrica de Nova York foi encerrada, lançou neste ano nos Estados Unidos uma nova linha com proteína. A estratégia, portanto, combina dois movimentos aparentemente opostos: retirar itens de menor desempenho e investir mais fortemente nos produtos considerados capazes de crescer.
Mudança começou antes e não representa fechamento recente no Brasil
Há ainda um detalhe importante para interpretar a notícia. Os três fechamentos industriais anunciados pela PepsiCo fazem parte principalmente de decisões tomadas ao longo de 2025, com algumas etapas das reorganizações sendo concluídas em 2026. Não se trata de três fábricas brasileiras fechadas agora.
A própria PepsiCo informou oficialmente, no fim de 2025, que havia fechado três fábricas e várias linhas de produção naquele ano, além de iniciar o processo para reduzir quase 20% dos itens de seu portfólio nos Estados Unidos.
A transformação mostra o tamanho do ajuste em uma empresa que possui algumas das marcas mais conhecidas do planeta: menos produtos e estruturas industriais, ao mesmo tempo em que mantém investimentos nos nomes considerados estratégicos para continuar disputando espaço nas prateleiras.
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