Funcionários da Caixa Econômica aprovam greve.
Caixa enfrenta ameaça de greve nacional após proposta ser rejeitada em assembleias
Caixa Econômica/Reprodução Empregados da Caixa Econômica Federal aprovaram greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira, 10 de setembro, após a rejeição da proposta apresentada pelo banco para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho.
A decisão foi tomada em assembleias realizadas em diferentes regiões do país na última semana. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC), houve rejeição superior a 90% em diversas bases sindicais.
O principal ponto de conflito está no Saúde Caixa, plano utilizado por empregados, aposentados e dependentes.
A greve, no entanto, ainda pode ser evitada caso uma nova negociação produza acordo antes de quinta-feira.
Saúde Caixa está no centro do impasse
De acordo com a CONTEC, a proposta apresentada pela Caixa modifica a forma de custeio do plano e pode provocar aumento expressivo das despesas de parte dos beneficiários.
Na proposta levada à mesa de negociação, a mensalidade dos titulares passaria a variar entre 2,7% e 4,5% da remuneração-base, conforme a idade. Para dependentes, os valores ficariam entre R$ 480 e R$ 660 por pessoa, também de acordo com a faixa etária.
Outra mudança elevaria de 7% para 9% da remuneração-base o limite de comprometimento do grupo familiar. O teto anual de coparticipação também passaria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil.
Segundo a CONTEC, dependendo da composição familiar, as alterações poderiam representar aumento próximo de 50% em relação aos valores atualmente pagos.
Caixa propôs aporte para enfrentar déficit do plano
A proposta também prevê participação financeira da própria Caixa.
Segundo informações apresentadas durante as negociações, o banco anunciou medidas que envolveriam aporte de recursos para enfrentar o déficit do Saúde Caixa, estimado pela representação sindical em cerca de R$ 410 milhões e com possibilidade de crescimento ao longo de 2026.
A CONTEC, entretanto, considerou insuficiente o modelo apresentado e criticou principalmente o aumento dos custos transferidos aos beneficiários. A entidade também questionou o fato de as mudanças consideradas mais relevantes no plano terem sido apresentadas na reta final das negociações.
Sindicatos queriam discutir plano separadamente
Antes da votação nas assembleias, a CONTEC chegou a defender que o Saúde Caixa fosse retirado temporariamente do novo Acordo Coletivo.
A proposta era permitir a assinatura das demais cláusulas e manter as negociações específicas sobre o plano de saúde até o final do ano. A tentativa não avançou e a proposta completa acabou sendo levada aos trabalhadores.
Na base do Sindicato dos Bancários de Campinas, por exemplo, 90,61% dos participantes rejeitaram o texto. No Ceará, a rejeição chegou a 95,67%.
Greve foi comunicada para começar dia 10
Após as deliberações, a CONTEC comunicou formalmente à Caixa a decisão de iniciar a paralisação em 10 de setembro, com base na Lei de Greve. O presidente da Confederação, Lourenço Prado, afirmou que a paralisação será por tempo indeterminado caso não haja uma solução antes da data estabelecida.
Ao mesmo tempo, a entidade informou que continua disponível para uma nova rodada de negociação com a direção do banco. O objetivo, segundo a CONTEC, é construir uma proposta capaz de impedir a paralisação e viabilizar o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2028.
Ainda haverá assembleias nesta terça-feira
Apesar da greve já ter sido aprovada pela maioria das bases vinculadas ao movimento informado pela CONTEC, alguns sindicatos filiados ainda realizarão assembleias na terça-feira (8). Essas entidades também decidirão se aprovam ou rejeitam a proposta. Por isso, o tamanho efetivo da mobilização e a adesão em cada região serão conhecidos com maior precisão após a conclusão dessas votações.
A paralisação permanece, neste momento, marcada para quinta-feira (10). Até lá, uma eventual nova proposta da Caixa poderá reabrir as negociações e alterar o cenário.
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