Trabalho por aplicativos chega a 2 milhões no Brasil

Segundo o IBGE, país tem dois milhões de trabalhadores por aplicativos.

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Trabalho por aplicativos chega a 2 milhões no Brasil Fernando Frazão/Rovena Rosa/Agência Brasil

O trabalho mediado por aplicativos já faz parte da rotina de cerca de 2 milhões de brasileiros. O contingente representa 1,9% das 102,4 milhões de pessoas ocupadas no país, segundo levantamento da Pnad Contínua divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Motoristas, entregadores e profissionais que encontram clientes por plataformas digitais formam um mercado que continua crescendo e que, ao mesmo tempo, apresenta diferenças importantes em relação ao restante da população ocupada.

Dos aproximadamente 2 milhões de trabalhadores identificados em 2025, 1,8 milhão tinham as plataformas como trabalho único ou principal. Outros 182 mil utilizavam os aplicativos em uma ocupação secundária e 28 mil declararam atuação por plataformas nas duas situações.

Trabalho por aplicativos cresceu 36,8% desde 2022

A expansão aparece com mais clareza quando se observa o grupo que utiliza as plataformas em sua atividade principal.

Nesse recorte, o número passou de aproximadamente 1,3 milhão de trabalhadores em 2022 para 1,8 milhão em 2025, crescimento de 36,8%. Na comparação apenas com 2024, a alta foi de 9,1%.

O dado de 2 milhões, porém, precisa ser observado separadamente: em 2025, o IBGE passou a incluir também pessoas que utilizavam plataformas digitais como trabalho secundário, grupo que não fazia parte das edições anteriores da mesma forma.
Transporte de passageiros concentra a maior parcela

Os aplicativos de transporte continuam liderando esse mercado. Cerca de 1,2 milhão de pessoas, equivalentes a 58,9% dos trabalhadores por plataformas, utilizavam aplicativos ligados ao transporte de passageiros.

Desse grupo, aproximadamente 1,1 milhão trabalhava com transporte particular diferente de táxi, enquanto 232 mil utilizavam plataformas específicas para serviços de táxi.

As plataformas de entrega de comida e produtos eram utilizadas por 585 mil pessoas. Entre elas, 376 mil exerciam diretamente a atividade de entregador.

Aplicativos destinados à prestação de serviços gerais ou profissionais reuniam outros 313 mil trabalhadores.

Uma mesma pessoa pode trabalhar em mais de uma plataforma ou modalidade, razão pela qual a soma das categorias ultrapassa o total geral.

Entregadores tiveram o maior crescimento

Entre 2024 e 2025, os entregadores apresentaram uma das expansões mais expressivas.

Considerando a ocupação principal, o contingente passou de 274 mil para 325 mil pessoas, crescimento de 18,6% em apenas um ano.

O avanço confirma a consolidação das plataformas como alternativa de renda, especialmente em atividades de transporte e entrega.

Mas o perfil desse trabalhador é bastante diferente daquele observado no mercado de trabalho de maneira geral.

Homens representam mais de 84% dos trabalhadores

O universo das plataformas é predominantemente masculino.

Os homens representavam 84,4% dos trabalhadores, enquanto as mulheres correspondiam a apenas 15,6%.

Entre os trabalhadores que não utilizavam plataformas, a participação feminina era muito maior: 41,8%.

Também existe forte concentração entre adultos mais jovens. Pessoas entre 25 e 39 anos representavam 47% dos trabalhadores de aplicativos, contra 37,4% entre os não plataformizados.

Apenas 34% contribuem para a Previdência

Outro indicador chama atenção. Somente 34% dos trabalhadores por plataformas contribuíam para a Previdência Social em algum de seus trabalhos.

Entre os trabalhadores que não dependiam de plataformas, essa proporção chegava a 63%.

Na prática, significa que aproximadamente dois em cada três trabalhadores plataformizados não faziam contribuição previdenciária, ampliando o debate sobre proteção social, aposentadoria e cobertura em situações de afastamento.

Regulamentação continua no centro da discussão

O crescimento do setor mantém em aberto a discussão sobre qual deve ser o modelo de proteção trabalhista para motoristas, entregadores e outros profissionais vinculados às plataformas.

Para o advogado trabalhista Tomaz Nina, a Consolidação das Leis do Trabalho já oferece instrumentos para que a Justiça analise a existência ou não de vínculo empregatício, mas não possui uma regulamentação específica voltada ao trabalho por aplicativos.

Segundo ele, características como flexibilidade de horários, autonomia e gerenciamento por algoritmos exigem uma legislação capaz de considerar as particularidades desse tipo de atividade.

A discussão, na avaliação do advogado, precisa evitar dois extremos: deixar os trabalhadores sem proteção mínima ou simplesmente aplicar ao setor toda a estrutura tradicional de emprego sem considerar as características próprias das plataformas.




































Os novos números do IBGE mostram que o debate envolve uma parcela ainda relativamente pequena do mercado de trabalho brasileiro, mas que já alcança milhões de pessoas e cresce de forma consistente.




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