Tempo de Fachin pode favorecer Moraes

STF pode salvar Alexandre de Moraes para preservar a Corte

Carolina Brígido/ Estadão
Tempo de Fachin pode favorecer Moraes Reprodução STF/

Edson Fachin tem um mantra: apressa-te devagar.
Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), é importante planejar as atitudes e colocá-las em prática de forma calculada, sem açodamento.
Diante da crise que abateu a Corte a partir da revelação dos elos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, Fachin declarou que, “no tempo devido e sem precipitação”, tomará “as medidas que cabíveis e necessárias”.

Nos últimos dias, Fachin conversou com ministros reservadamente – inclusive com Moraes e André Mendonça, o relator do caso Banco Master que divulgou o relatório da Polícia Federal com indícios contra o colega, publicado antes em uma série de reportagens do Estadão.
A seu estilo, o presidente do Supremo ouviu mais do que falou. Disse a pessoas próximas que ainda não decidiu o que nem quando vai fazer.

Mendonça tem pressa.
Ele quer levar o caso a plenário na próxima semana. A intenção dele é votar em sessão pública e presencial se Moraes deve ou não ser alvo de inquérito criminal no Supremo.
Moraes, por sua vez, está confortável com o tempo de Fachin.
Para ele, quanto mais tempo passar antes de ser tomada uma providência, melhor.

A avaliação de pessoas próximas de Mendonça é que, enquanto o tempo passa, Moraes articula o apoio dos colegas internamente.
Além disso, com o passar dos dias, os indícios publicados podem decantar e perder a força, inclusive perante a opinião pública.
Sem o impacto inicial das revelações, aumenta a chance de Mendonça ser derrotado em plenário.
Moraes conta com o apoio de aliados importantes no Supremo: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ao fim da sessão de ontem, 2, a primeira após o escândalo vir a tona, os quatro deixaram o plenário lado a lado, esbanjando bom humor.

Mendonça, por sua vez, conta com o apoio de Luiz Fux. Outros eventuais votos precisariam ser conquistados nos bastidores. No mesmo dia, o relator do caso Master deixou o plenário sozinho, caminhado do lado de fora do Supremo até o gabinete.
Para interlocutores do ministro, Fachin está mais devagar do que apressado para resolver a crise.





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