Tempo de Fachin pode favorecer Moraes
STF pode salvar Alexandre de Moraes para preservar a Corte
Reprodução STF/ Diante da crise que abateu a Corte a partir da revelação dos elos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, Fachin declarou que, “no tempo devido e sem precipitação”, tomará “as medidas que cabíveis e necessárias”.
Nos últimos dias, Fachin conversou com ministros reservadamente – inclusive com Moraes e André Mendonça, o relator do caso Banco Master que divulgou o relatório da Polícia Federal com indícios contra o colega, publicado antes em uma série de reportagens do Estadão.
A seu estilo, o presidente do Supremo ouviu mais do que falou. Disse a pessoas próximas que ainda não decidiu o que nem quando vai fazer.
Mendonça tem pressa.
Ele quer levar o caso a plenário na próxima semana. A intenção dele é votar em sessão pública e presencial se Moraes deve ou não ser alvo de inquérito criminal no Supremo.
Moraes, por sua vez, está confortável com o tempo de Fachin.
Para ele, quanto mais tempo passar antes de ser tomada uma providência, melhor.
A avaliação de pessoas próximas de Mendonça é que, enquanto o tempo passa, Moraes articula o apoio dos colegas internamente.
Além disso, com o passar dos dias, os indícios publicados podem decantar e perder a força, inclusive perante a opinião pública.
Sem o impacto inicial das revelações, aumenta a chance de Mendonça ser derrotado em plenário.
Moraes conta com o apoio de aliados importantes no Supremo: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ao fim da sessão de ontem, 2, a primeira após o escândalo vir a tona, os quatro deixaram o plenário lado a lado, esbanjando bom humor.
Mendonça, por sua vez, conta com o apoio de Luiz Fux. Outros eventuais votos precisariam ser conquistados nos bastidores. No mesmo dia, o relator do caso Master deixou o plenário sozinho, caminhado do lado de fora do Supremo até o gabinete.
Para interlocutores do ministro, Fachin está mais devagar do que apressado para resolver a crise.
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