Menções a Gonet provocam constrangimento no MPF
Procuradores questionam proximidade de Gonet com Vorcaro e atuação do PGR após relatório da PF
O procurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco • Rosinei Coutinho/STF Integrantes do Ministério Público Federal (MPF) relatam um clima de constrangimento e perplexidade diante das menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em um relatório da Polícia Federal que reúne informações sobre a relação entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo relatos divulgados pela CNN, a repercussão entre procuradores também envolve a postura adotada por Gonet após a divulgação do documento.
O nome do procurador-geral aparece em mensagens trocadas entre o advogado Ciro Passos e Vorcaro.
De acordo com o relatório, as conversas fazem referências a uma relação de proximidade, incluindo menções a passagens aéreas internacionais para o filho de Gonet, encontros para fumar charutos e beber uísque Macallan, além do envio de uma fotografia em que aparecem Ciro Passos e Gonet.
A repercussão provocou críticas dentro da categoria. Procuradores avaliam que, mesmo considerando que as mensagens são de um período anterior à crise envolvendo o Banco Master, o nível de proximidade descrito nas conversas pode representar um problema para o princípio de independência que orienta a atuação do Ministério Público.
Atuação de Gonet também é questionada
Além das mensagens, integrantes do MPF questionam a rapidez com que Gonet reagiu ao relatório da Polícia Federal.
O procurador-geral solicitou o arquivamento do material poucas horas depois de sua divulgação, embora o prazo previsto fosse de cinco dias.
Ele também tomou medida semelhante em relação a denúncias apresentadas por Daniel Vorcaro durante depoimento ao STF.
Nos grupos internos do Ministério Público Federal, entretanto, o assunto vem sendo tratado com cautela.
Segundo relatos, uma medida adotada pela gestão Gonet neste ano teria restringido manifestações e contribuído para o silêncio interno entre os procuradores.
Pressão por lista tríplice
A crise também reacendeu entre integrantes do MPF a discussão sobre a escolha do próximo procurador-geral da República.
A ideia, ainda em estágio inicial, é pressionar para que o próximo presidente da República escolha o chefe do Ministério Público Federal a partir de uma lista tríplice formada por procuradores.
O mecanismo foi seguido tradicionalmente até 2019, quando o então presidente Jair Bolsonaro escolheu Augusto Aras fora da lista.
Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também escolheu Paulo Gonet sem seguir a lista elaborada pela categoria.
Para procuradores, acordos políticos envolvendo a indicação podem comprometer a independência institucional do cargo, especialmente em situações que envolvam autoridades dos demais Poderes.
Gonet tem mandato previsto até dezembro de 2027.
A avaliação entre integrantes do MPF é que a discussão sobre a lista tríplice deve voltar à pauta nas próximas semanas, com a possibilidade de defesa de uma PEC para incluir o mecanismo na Constituição.
Relação com ministros do STF
Procuradores também citam a proximidade atribuída a Gonet com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
Segundo os relatos, essa relação seria mais um fator de questionamento sobre a capacidade do procurador-geral de atuar com independência diante da atual crise.
Integrantes do MPF lembram ainda que os dois ministros teriam sido consultados pelo presidente Lula durante o processo que levou à escolha de Gonet para o cargo.
A TV CNN informou que procurou Paulo Gonet por meio de sua assessoria, mas não recebeu manifestação.
O procurador-geral também não divulgou publicamente, até o momento, esclarecimentos sobre sua relação com Vorcaro ou com o advogado Ciro Passos.
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