Mendonça avalia incluir Moraes em investigação.

Vorcaro pediu ajuda a Moraes contra avanço de investigações, apontam mensagens analisadas pela PF

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Mendonça avalia incluir Moraes em investigação. Reprodução STF

Novas mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocaram o ministro Alexandre de Moraes em uma nova frente das investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

O ministro André Mendonça, relator do caso Master, avalia se Moraes deverá ser incluído formalmente na apuração depois que a Polícia Federal identificou o colega de Supremo como destinatário de mensagens enviadas pelo banqueiro. Antes de tomar uma decisão, Mendonça encaminhou o material para a Procuradoria-Geral da República, que terá cinco dias para se manifestar.

Vorcaro pediu atuação junto à PF e à PGR

As mensagens são de outubro de 2025, poucas semanas antes da primeira prisão de Vorcaro.

Em um dos textos, o banqueiro relata preocupação com informações de que o Banco Central estaria sendo pressionado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para adotar medidas contra ele.

Vorcaro pede que seu interlocutor converse com Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, para evitar o que chamou de uma “sacanagem”.

O material também mostra Vorcaro buscando apoio para conter o avanço de medidas que poderiam atingir o Banco Master. A identificação do destinatário ganhou importância porque, inicialmente, os textos haviam sido encontrados no bloco de notas do celular do banqueiro, sem indicação clara de para quem teriam sido enviados.

Mensagens não provam que Moraes tenha atendido aos pedidos

Esse é o ponto central da investigação. O fato de Vorcaro ter enviado pedidos de ajuda não demonstra, por si só, que Alexandre de Moraes tenha interferido em favor do banqueiro.

Parte do material foi enviada como imagens de visualização única pelo WhatsApp. Segundo informações sobre a perícia, os investigadores recuperaram os textos produzidos por Vorcaro, mas não dispõem de todas as eventuais respostas correspondentes.

A apuração agora deverá tentar estabelecer se houve alguma atuação concreta a partir dos pedidos feitos pelo banqueiro.

Marsiglia defende investigação sobre eventual ajuda

Ao comentar o caso nesta terça-feira (1º), o advogado e comentarista político André Marsiglia defendeu que a investigação avance justamente sobre essa questão.

Se Moraes recebeu mensagens de Vorcaro pedindo ajuda, precisa ser investigado se ajudou. Tem que ser incluído mesmo nas investigações”, afirmou.

A avaliação de Marsiglia vai na direção de separar dois momentos: o pedido feito por Vorcaro e a necessidade de apurar se alguma autoridade tomou providências para beneficiá-lo.

PGR terá palavra antes da decisão de Mendonça

Mendonça ainda não determinou formalmente a inclusão de Moraes como investigado.

O relator decidiu primeiro ouvir a PGR sobre o relatório produzido pela Polícia Federal.

A manifestação do Ministério Público deverá orientar os próximos passos, que podem incluir novas diligências, aprofundamento da análise das mensagens ou eventual ampliação do inquérito.

O caso também aumentou a tensão interna no Supremo diante da possibilidade de uma investigação alcançar diretamente um dos integrantes da Corte.

Alexandre de Moraes não havia apresentado manifestação pública sobre as novas informações até a divulgação das reportagens desta terça-feira. A questão que passa a orientar essa nova etapa é objetiva: Vorcaro pediu ajuda. Agora, a investigação terá de esclarecer se alguém efetivamente o ajudou.




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