Muro de lama e pedras devasta Porto de Gyirong
Centenas estão desaparecidos na região do Himalaia
Reprodução Uma enorme massa de lama, pedras e água avançando em poucos segundos transformou uma das principais ligações terrestres entre a China e o Nepal em um cenário de devastação nesta quarta-feira (26).
O Porto de Gyirong, na região do Tibete, foi atingido por um violento fluxo de detritos provocado pelas enchentes que castigaram a fronteira entre os dois países.
Imagens de câmeras de segurança impressionam pela velocidade do desastre. Pessoas aparecem correndo desesperadamente para deixar o local momentos antes de a avalanche de lama atingir a área.
Veículos, prédios e estruturas foram alcançados pela enxurrada.
No Nepal, o desastre já deixou ao menos 22 mortos, enquanto 384 turistas e viajantes foram considerados desaparecidos nas áreas atingidas.
No lado tibetano, equipes trabalham no Porto de Gyirong, mas até o momento as autoridades chinesas ainda não apresentaram um balanço consolidado de mortos e feridos no local.
Pessoas correm segundos antes de tudo ser atingido
As imagens registradas no lado chinês da fronteira mostram o momento em que moradores e trabalhadores percebem o perigo.
Em poucos segundos, várias pessoas deixam o local correndo.
Logo depois surge uma enorme massa formada por água, lama e blocos de rocha, avançando com força sobre a região do porto.
Caminhões, ônibus e outras estruturas aparecem no caminho da avalanche.
O volume de detritos transformou rapidamente o terreno e bloqueou acessos utilizados para chegar ao posto fronteiriço.
O Porto de Gyirong é considerado um dos principais corredores terrestres entre o Tibete e o Nepal, utilizado tanto no transporte de cargas quanto na circulação de viajantes.
Estradas, energia e comunicação foram interrompidas
A força do deslizamento provocou o isolamento parcial da área.
As autoridades chinesas informaram que foram interrompidos acessos rodoviários, serviços de telecomunicações e o fornecimento de energia elétrica na região atingida.
As estradas entre a cidade de Gyirong e o porto foram fechadas para o trânsito comum.
A circulação ficou restrita às equipes de emergência e resgate.
Em alguns pontos, a camada de lama e sedimentos acumulados chega a aproximadamente 1,5 metro de profundidade, dificultando a chegada dos socorristas.
China mobiliza mais de 570 integrantes para resgate
As autoridades chinesas enviaram ao menos 574 integrantes de equipes de emergência para a região do Porto de Gyirong.
O trabalho envolve buscas por desaparecidos, abertura de acessos e retirada de pessoas que permanecem isoladas.
O presidente chinês, Xi Jinping, determinou esforço máximo nas buscas e pediu reforço no monitoramento da região diante do risco de novos desastres.
A situação é considerada especialmente delicada porque a previsão ainda indica chuva na área montanhosa.
384 turistas e viajantes são procurados
No Nepal, a dimensão humana da tragédia aumentou ao longo desta quarta-feira.
Segundo as autoridades de turismo do país, 384 turistas e viajantes estavam desaparecidos nas regiões atingidas.
Entre eles estão estrangeiros de diferentes nacionalidades.
Há pessoas da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Malásia, Coreia do Sul, África do Sul, Austrália e Holanda, além de nepaleses.
Grande parte dos estrangeiros estava na região em deslocamentos turísticos e religiosos, inclusive em rotas utilizadas por peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, no Tibete.
Ao menos 22 pessoas morreram no Nepal
O balanço das autoridades nepalesas chegou a pelo menos 22 mortes ao longo desta quarta-feira.
Vilarejos foram atingidos pelas águas, enquanto casas, veículos, estradas, pontes e projetos de geração de energia foram destruídos.
As enchentes atingiram principalmente áreas próximas aos rios Bhotekoshi e Lhende Khola.
Equipes do Exército e da polícia nepalesa foram mobilizadas para os resgates.
Em alguns locais, a força da água tornou impossível até mesmo o pouso de helicópteros.
Avalanche de gelo e rochas pode ter iniciado tragédia
A causa exata ainda está sendo investigada, mas análises preliminares apontam para uma sequência extrema de eventos naturais.
Especialistas trabalham com a hipótese de que uma avalanche de gelo e rochas tenha atingido o rio Lhende Khola, provocando um bloqueio temporário.
O rompimento desse represamento teria liberado uma quantidade gigantesca de água de uma só vez, dando origem à enxurrada.
Também chamou atenção o registro de um terremoto de magnitude 4,4 na região.
O tremor teria ocorrido poucos minutos antes do horário registrado pelas câmeras durante o desastre.
Ainda não está confirmado, entretanto, se o terremoto foi responsável por desencadear a avalanche.
Autoridades alertam para possibilidade de nova enchente
O perigo ainda não terminou.
Especialistas identificaram um novo bloqueio rio acima, aumentando o temor de que outra onda de água e detritos possa descer pela região.
Moradores de áreas mais baixas receberam orientação para deixar suas casas e buscar pontos elevados.
Alertas também foram emitidos para populações próximas aos rios que descem do Himalaia.
A preocupação se estendeu até partes da Índia, já que vários desses cursos d'água atravessam fronteiras e seguem em direção ao território indiano.
Região já havia sofrido desastre semelhante
Não é a primeira vez que o corredor entre Nepal e Tibete enfrenta uma catástrofe desse tipo.
Em 2025, outra grande enchente atingiu praticamente a mesma região.
Naquele episódio, nove pessoas morreram e outras 24 desapareceram.
A força das águas também destruiu uma ponte que fazia a ligação entre China e Nepal, provocando interrupções no comércio e no transporte durante meses.
Especialistas têm chamado atenção para a vulnerabilidade crescente da região do Himalaia, onde o derretimento acelerado de geleiras e eventos extremos aumentam o risco de avalanches, rompimentos de lagos glaciais, enchentes repentinas e deslizamentos. As operações de busca continuam e o número de vítimas ainda poderá aumentar nas próximas horas.
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