Casas Bahia fecha quase 300 lojas de uma vez.
Casas Bahia encerra quase 30% das lojas em forte reestruturação nacional
Reprodução A Casas Bahia está promovendo uma das maiores reduções de sua estrutura física dos últimos anos, com o fechamento de 298 lojas em todo o Brasil e o desligamento de aproximadamente 1,9 mil funcionários.
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (14) pelo Valor Econômico e repercutidas por diferentes veículos especializados em negócios e varejo. O fechamento das unidades representa cerca de 28,7% da rede física que a companhia mantinha no final do primeiro trimestre.
Em março, o Grupo Casas Bahia operava 1.039 lojas, sendo 921 da bandeira Casas Bahia e 118 do Pontofrio. Caso todas as 298 unidades previstas sejam efetivamente encerradas, a rede física ficará próxima de 740 pontos de venda.
A companhia ainda não havia apresentado publicamente os detalhes do novo plano de redução de despesas até a divulgação das reportagens.
1,9 mil trabalhadores são atingidos
As demissões começaram na quinta-feira (13).
Segundo a apuração publicada pelo Valor, aproximadamente 600 funcionários foram desligados na quinta, enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para esta sexta-feira.
Com isso, o total inicial fica próximo de 1,9 mil trabalhadores. Uma fonte ouvida pelo jornal, porém, estima que o ajuste possa chegar a 3 mil demissões ao término do processo. Esse número maior, até o momento, não foi confirmado pela empresa.
O corte de quase 2 mil empregados corresponderia a aproximadamente 6,7% do quadro de funcionários da varejista.
30% das lojas desaparecem de uma só vez
A dimensão da redução chama atenção porque a Casas Bahia já vinha diminuindo sua presença física, mas de forma muito mais lenta.
No fim de 2025, o grupo possuía 1.042 lojas, ante 1.064 em 2024 e 1.078 em 2023. Nos 12 meses encerrados em março deste ano, o saldo havia sido de apenas 26 lojas fechadas.
Agora, o fechamento de 298 unidades de uma só vez representa mais de onze vezes o número de pontos encerrados ao longo dos 12 meses anteriores.
A medida marca uma nova fase da reestruturação iniciada pela companhia nos últimos anos, agora com redução muito mais agressiva dos custos fixos.
Prejuízo passou de R$ 1 bilhão
A decisão ocorre em meio à pressão dos resultados financeiros.
No primeiro trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão, diante de uma perda de R$ 408 milhões no mesmo período do ano passado.
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,17 bilhão, mostrando que o peso das despesas financeiras continua sendo um dos principais problemas para a varejista.
Apesar disso, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 6,1%, para R$ 7,4 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 4,7%, chegando a R$ 597 milhões.
Em 2025, a companhia acumulou prejuízo líquido próximo de R$ 3 bilhões, segundo informações financeiras citadas pelas publicações que acompanham a reestruturação.
Vendas digitais crescem
O comportamento das vendas ajuda a explicar parte da nova estratégia.
No primeiro trimestre deste ano, o volume bruto de mercadorias vendido pelas lojas físicas caiu 1,6%, para R$ 6,2 bilhões. A receita bruta das unidades físicas recuou 1,8%, ficando em R$ 5,6 bilhões.
Já o comércio eletrônico seguiu na direção oposta.
O GMV do e-commerce cresceu 14,6%, alcançando R$ 5 bilhões, enquanto as vendas digitais de produtos próprios — o chamado 1P online — avançaram 27,4%.
O grupo também ampliou sua presença em grandes marketplaces. Segundo levantamento do Itaú BBA citado pelo setor varejista, vendas realizadas por meio de Mercado Livre, Amazon e Shopee já equivalem a cerca de 5% do GMV total da companhia e a aproximadamente 10% das vendas digitais.
Empresa passou por recuperação extrajudicial
A crise financeira não começou agora.
Em 2024, o Grupo Casas Bahia passou por um processo de recuperação extrajudicial, envolvendo aproximadamente R$ 4 bilhões em obrigações financeiras.
Posteriormente, parte das dívidas foi convertida em ações e outra parcela teve os vencimentos renegociados, reduzindo significativamente a dívida líquida e a alavancagem da companhia.
Mesmo com a melhora na estrutura de capital, o custo financeiro continuou pressionando o balanço, o que levou a empresa a buscar novas formas de cortar despesas e aumentar a geração de caixa.
Entre as medidas relatadas pelo mercado estão renegociações de prazos com fornecedores e alterações nos repasses aos lojistas que utilizam o marketplace do grupo.
Balanço do segundo trimestre foi adiado
Outro movimento chamou a atenção do mercado nesta semana.
O resultado financeiro referente ao segundo trimestre de 2026, inicialmente previsto para quarta-feira (12), foi transferido para esta sexta-feira (14), após o fechamento do mercado.
A página de Relações com Investidores do Grupo Casas Bahia também informa que a videoconferência para perguntas e respostas está marcada para segunda-feira (17), às 14h, no horário de Brasília.
Segundo as informações publicadas pelo Valor, o adiamento estaria relacionado justamente à necessidade de a companhia concluir os detalhes do novo plano de reestruturação antes da apresentação dos resultados.
Até a divulgação das reportagens nesta sexta-feira, a Casas Bahia ainda não havia se manifestado oficialmente sobre os 298 fechamentos e os cortes de funcionários.
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