Foragido por chacina alega reação após ameaças.
Foragido apresenta versão para chacina em Goiás; polícia contesta narrativa de legítima defesa
Reprodução A divulgação de um vídeo gravado por um dos homens procurados pela polícia acrescentou um novo capítulo à investigação da chacina que deixou quatro mortos em Formosa, no Entorno do Distrito Federal. Maurício Corrêa Silvério da Silva, que permanece foragido, apresentou sua versão para os acontecimentos da última terça-feira (11), no Setor Parque Lago.
Ele sustenta que houve uma reação diante de ameaças contra familiares relacionadas à cobrança de uma dívida de aproximadamente R$ 250 mil.
A Polícia Civil de Goiás, entretanto, não considera essa narrativa uma conclusão sobre a dinâmica do crime. Os investigadores trabalham para confrontar as declarações dos suspeitos com imagens, perícias, armas apreendidas e demais elementos reunidos no inquérito.
“Meu pai revidou, eu revidei”, afirma Maurício
No vídeo divulgado enquanto está foragido, Maurício afirma que as vítimas estariam armadas e que sua família corria risco. Ao descrever o momento dos disparos, declarou que ele, o pai e Rodrigo Anderson Barbosa teriam reagido. “Meu pai revidou, eu revidei, o Rodrigo revidou”, afirmou.
Maurício também sustenta que o grupo teria ido ao local com intenção violenta.
Essa versão, contudo, ainda está sob investigação e não foi confirmada pela Polícia Civil.
O delegado José Antônio Sena, responsável pela apuração, já havia afirmado que os vídeos divulgados pelos investigados poderiam representar uma tentativa de construir uma narrativa de legítima defesa.
A polícia também apura a hipótese de que as vítimas tenham sido atraídas para uma emboscada.
Cobrança de R$ 250 mil
Uma das principais linhas investigativas aponta que o encontro que antecedeu as mortes estava relacionado à cobrança de uma dívida estimada em R$ 250 mil.
Informações apuradas até agora relacionam o débito à negociação de um caminhão e outros negócios entre os envolvidos. O grupo teria ido a Formosa para tentar receber o valor.
A polícia ainda busca estabelecer quem iniciou os disparos e qual foi a atuação individual de cada suspeito.
A caminhonete Volkswagen Amarok utilizada pelas vítimas foi atingida por cerca de 25 tiros, segundo informações reunidas durante a investigação.
2 vítimas estavam no carro e 2 na rua
Quando a Polícia Militar chegou ao Setor Parque Lago, os quatro homens já estavam mortos.
Duas vítimas foram encontradas dentro da Amarok e outras duas estavam caídas na via pública.
As vítimas foram identificadas como Gustavo Fernandes Graças, Luiz Antônio Rodrigues, conhecido como Nego, Gustavo Aurélio Miguel e André Luiz Ferreira Silva, o Tarobá.
Gustavo Fernandes havia exercido funções na administração municipal de São João d'Aliança. Luiz Antônio, também ligado ao município, era sogro dele. Gustavo Aurélio e André eram de Casa Branca, no interior de São Paulo.
Pai de Maurício se entregou e está preso
O terceiro investigado é Matusalém Silvério da Silva, policial militar da reserva e pai de Maurício.
Ele se apresentou à polícia na sexta-feira (14), em São Luís de Montes Belos, e foi preso em cumprimento a mandado de prisão preventiva.
Matusalém também divulgou um vídeo alegando ter agido em legítima defesa. Segundo sua versão, o filho teria ligado dizendo que estava sendo perseguido, e posteriormente homens chegaram à residência.
Antes da decretação das prisões, Matusalém, Maurício e Rodrigo chegaram a se apresentar à Polícia Civil acompanhados de advogado, mas foram liberados porque, naquele momento, ainda não havia mandado de prisão contra eles.
Dois suspeitos continuam foragidos
A Polícia Civil segue procurando Maurício Corrêa Silvério da Silva e Rodrigo Anderson Barbosa.
Os dois são investigados por participação no quádruplo homicídio e tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça.
Durante a Operação Garantia da Ordem, policiais também apreenderam armas, munições, equipamentos eletrônicos e um veículo que teria sido utilizado na fuga. O material será submetido à análise para auxiliar na reconstrução da dinâmica dos assassinatos.
A investigação agora procura esclarecer quem efetuou cada disparo, se houve efetivamente uma agressão inicial por parte das vítimas, qual a origem da arma localizada na cena e se os elementos técnicos sustentam ou contradizem a alegação de legítima defesa.
Enquanto essas respostas não forem obtidas, os vídeos divulgados pelos investigados permanecem como versões apresentadas pelos próprios suspeitos, e não como conclusão oficial sobre a chacina.
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