Homem ligado a golpe de R$ 37 milhões é preso.
Operação contra golpe de falsos investimentos chega a esquema com movimentações de R$ 30 bilhões
Reprodução Um dos principais suspeitos de integrar o esquema de falsos investimentos que provocou um prejuízo de R$ 37 milhões a uma aposentada de 70 anos foi preso na manhã desta sexta-feira (14), no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
A prisão foi realizada com participação da Polícia Federal, a partir das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. O homem não teve a identidade divulgada e é apontado como proprietário de uma das instituições financeiras investigadas.
Segundo a investigação, R$ 77 milhões passaram por uma conta bancária vinculada ao CPF do suspeito. O investigado mora em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Mulher transferiu R$ 37 milhões
O caso que levou a polícia a aprofundar a investigação começou com a denúncia de uma mulher de 70 anos, do Rio Grande do Sul. Ao longo de aproximadamente seis meses, ela transferiu mais de R$ 37 milhões acreditando que os recursos estavam sendo aplicados em investimentos de alta rentabilidade.
A vítima possuía experiência com investimentos e havia recebido uma herança.
Conforme a investigação, ela acabou retirando recursos que mantinha em uma corretora regular para direcioná-los à plataforma apresentada pelos golpistas.
O esquema começava com a inclusão da vítima em grupos de mensagens que simulavam comunidades especializadas no mercado financeiro.
Falsos especialistas, assistentes e outros participantes conversavam entre si, divulgavam análises e exibiam supostos resultados positivos, criando um ambiente de credibilidade.
Quando a vítima tentava retirar o dinheiro, porém, os saques eram bloqueados. A partir daí, surgiam novas cobranças, como taxas e impostos fictícios, sob a promessa de que o pagamento permitiria liberar os recursos.
Golpe é conhecido como “pig butchering”
A modalidade investigada é conhecida internacionalmente como “pig butchering”, expressão traduzida como “abate de porcos”.
Nesse tipo de fraude, os criminosos não tentam necessariamente retirar grandes quantias logo no primeiro contato. A estratégia é construir confiança gradualmente, apresentar lucros fictícios e estimular aportes cada vez maiores até que a vítima tenha transferido uma parcela expressiva do patrimônio.
Segundo a Polícia Civil, os investigados se apresentavam como integrantes de uma empresa identificada como TDASX, plataforma que deixou de operar depois do início das investigações.
Movimentações de R$ 30 bilhões
A dimensão financeira encontrada durante o rastreamento chamou a atenção dos investigadores.
Uma das instituições financeiras sob investigação teria movimentado R$ 295 milhões em apenas um dia, em operações envolvendo conversão de recursos para criptoativos.
Em outro braço da apuração, uma empresa localizada em São Paulo apresentou R$ 500 milhões em movimentações consideradas atípicas durante o período analisado.
No conjunto das pessoas físicas e jurídicas examinadas, a Polícia Civil informou ter identificado mais de R$ 30 bilhões em transações suspeitas. Os valores eram distribuídos por diferentes contas e empresas e, em parte das operações, convertidos em criptomoedas.
Os investigadores também rastrearam, em um dos caminhos do dinheiro, a conversão de aproximadamente 675 mil unidades de USDT em apenas três dias.
Polícia identificou 140 potenciais vítimas
O caso da aposentada pode estar longe de ser isolado.
A investigação já identificou ao menos 140 potenciais vítimas expostas ao mesmo tipo de fraude em ambientes digitais pelo Brasil.
A Operação Criptoabate foi deflagrada na quinta-feira (13) e prevê o cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva, além de buscas e outras determinações judiciais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Até o fim da manhã desta sexta-feira, havia divergência entre balanços publicados sobre o número de presos. A informação mais recente obtida diretamente com o delegado responsável pela investigação indicava três prisões confirmadas e sete investigados ainda procurados.
A Polícia Civil segue analisando documentos, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras para identificar outros envolvidos, localizar novos possíveis lesados e tentar encontrar bens e valores que possam ser recuperados.
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