Grupo discutia invasões em Brasília.
Polícia apura uso de mapas de edifícios públicos em possíveis ações nas eleições
Foto: BRENO ESAKI/ Arquivos com detalhes de prédios localizados na região central de Brasília estão entre os materiais que levaram a Polícia Civil do Distrito Federal a aprofundar uma investigação sobre possíveis ações violentas durante as eleições de 2026.
Nas conversas atribuídas aos investigados apareciam plantas arquitetônicas, modelos tridimensionais e mapas da capital federal. O conteúdo era compartilhado enquanto o grupo discutia seleção de alvos, entrada em edifícios e formação de participantes para uma mobilização em Brasília.
A apuração é conduzida pela unidade da PCDF especializada no combate ao extremismo violento.
O inquérito começou após a corporação receber um relatório técnico elaborado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas, o Ciberlab, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Estratégias e recrutamento
O material analisado indica que os participantes não se limitavam a trocar manifestações políticas ou ideológicas. As mensagens avançavam sobre questões práticas, como recrutamento em diferentes estados, treinamento tático, datas e possíveis estratégias para ocupação de edificações.
Brasília aparecia repetidamente como destino da mobilização projetada para o período eleitoral.
A investigação ainda busca estabelecer se as discussões já haviam ultrapassado o ambiente virtual e alcançado alguma etapa de execução.
Também foram encontrados conteúdos relacionados à fabricação de artefatos explosivos. A circulação desses manuais foi um dos elementos usados para justificar as medidas cautelares destinadas à preservação das provas digitais.
Buscas em cinco estados
A Operação Rede Interrompida cumpriu oito mandados de busca e apreensão contra investigados de 19 a 31 anos.
As diligências ocorreram em:
• Paraná;
• Santa Catarina;
• São Paulo;
• Pernambuco;
• Rio Grande do Sul.
Computadores, telefones celulares e outros dispositivos foram recolhidos para análise.
A operação contou com apoio das polícias civis dos estados envolvidos, do Ciberlab, do CyberGaeco de Santa Catarina e da Agência Brasileira de Inteligência.
Perícia deverá medir avanço dos planos
A polícia pretende recuperar mensagens, arquivos apagados, conexões entre os investigados e possíveis contatos ainda não identificados.
A perícia também deverá esclarecer o nível de organização do grupo e verificar em que estágio estavam as ações mencionadas nas conversas. Até a análise dos equipamentos, a existência de plantas, modelos digitais e manuais não permite concluir quais medidas poderiam, de fato, ser executadas.
Nesta fase, são apurados, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e infrações previstas na legislação antirracismo.
A PCDF informou que os fatos ainda não foram enquadrados na Lei Antiterrorismo. A eventual responsabilização dependerá das provas encontradas e da definição da participação individual de cada investigado. O inquérito permanece sob sigilo.
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