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Maringá,24/07/2026

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Âmbar antigo é encontrado: 385 milhões de anos.

Âmbar mais antigo do mundo é encontrado por cientistas chineses em bloco de carvão

Patryck Reinehr/revista Science Advances.
Âmbar antigo é encontrado: 385 milhões de anos. Imagens: IA/Reprodução/

Um grupo de pesquisadores encontrou fragmentos de âmbar escondidos dentro de uma camada fina de carvão na região de Xinjiang, no noroeste da China. Os pedaços, a maioria menor que meio milímetro, têm cerca de 385 milhões de anos e representam o registro mais antigo já confirmado quimicamente dessa substância, segundo estudo publicado na revista Science Advances.
Como surgiu esse pedaço de resina fóssil?
O âmbar nasce da resina produzida por plantas, uma substância que ajuda a fechar ferimentos e resistir a fungos, insetos e incêndios. Com o tempo, sob soterramento, pressão e calor, essa resina se transforma na pedra amarelada ou acastanhada que conhecemos hoje. Por isso, cada fragmento carrega não só vestígios de organismos antigos, mas também pistas químicas sobre a planta que o originou.
Os cristais encontrados no norte da China variavam entre 0,1 e 0,5 milímetro, com o maior chegando a 1,5 milímetro. Sob luz ultravioleta, algumas amostras emitiram um brilho azulado nítido, destacando-se do carvão escuro ao redor.
Que testes confirmaram a origem vegetal do material?
Segundo Bo Wang, diretor do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing e autor principal do estudo, cor e brilho não bastam para provar que uma amostra é âmbar de verdade. A equipe recorreu a duas técnicas químicas, a espectroscopia de infravermelho e a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa, para ler a assinatura molecular do material.
Os resultados mostraram compostos terpenoides característicos de resinas vegetais, com composição próxima à de coníferas atuais. Essas moléculas fazem parte da defesa química que plantas usam para cicatrizar ferimentos e resistir a micro-organismos.
Por que a idade da amostra intriga os pesquisadores?
A descoberta empurra a data conhecida de surgimento do âmbar cerca de 65 milhões de anos para trás, já que o registro aceito anteriormente remontava ao Carbonífero Superior, há cerca de 320 milhões de anos. O detalhe mais intrigante, porém, é que a amostra é anterior ao surgimento das plantas com sementes, principal fonte conhecida de resinas fósseis.
Os cientistas sugerem que a resina possa ter vindo de plantas vasculares sem sementes que existiam no período Devoniano, como árvores primitivas ou licopsídeos gigantes. Se confirmado, isso indicaria que a capacidade de produzir goma defensiva surgiu bem antes do que se imaginava.
Âmbar mais antigo do mundo é encontrado por cientistas chineses em bloco de carvão: ele tem cerca de 385 milhões de anos
O que isso revela sobre a vida vegetal do Devoniano?
No período Devoniano, as plantas passavam por uma de suas maiores transformações, desenvolvendo caules mais altos, raízes mais profundas e corpos mais complexos, além de se espalharem por áreas maiores da superfície terrestre. Essa expansão trouxe novos desafios, como ferimentos, incêndios e fungos. Produzir resina pode ter sido uma das ferramentas usadas para fechar feridas e evitar infecções, numa época em que os insetos herbívoros ainda não representavam a mesma pressão que exerceriam em eras posteriores. Para o pesquisador, o pequeno fragmento pode registrar um momento inicial em que as plantas começaram a criar escudos químicos para sobreviver fora da água.
Quais limitações o estudo reconhece?
Apesar da relevância do achado, os autores apontam algumas restrições importantes:
1 Planta não identificada
Não há tecidos vegetais, canais de resina ou estruturas secretoras preservadas que revelem com precisão qual planta produziu o material.
2 Origem ainda incerta
Não é possível afirmar se os fragmentos vieram de um único grupo de plantas devonianas ou de várias espécies.
3 Sem parentesco comprovado
A semelhança química com coníferas atuais não indica relação direta, pois as plantas com sementes ainda não existiam.
4 Amostras raras e minúsculas
O tamanho reduzido e a raridade sugerem que outros registros possam estar escondidos em rochas e carvões ainda não analisados.
Uma janela química para o passado da vida terrestre
O achado reforça como fragmentos microscópicos podem carregar informações sobre etapas decisivas da história da vida na superfície do planeta, muito antes de florestas e sementes dominarem a paisagem.
A combinação entre carvão, resina fossilizada e testes moleculares mostrou que uma defesa química complexa já existia entre os primeiros organismos que colonizavam o solo firme.
Esse tipo de análise abre caminho para que outros depósitos antigos sejam reexaminados com métodos mais sensíveis, revelando pistas que escaparam de observações feitas apenas a olho nu.
Cada nova amostra confirmada quimicamente reescreve um pouco a linha do tempo de como a vida terrestre desenvolveu suas primeiras estratégias de sobrevivência.




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