Nasa mostra sobrevoo por Marte.
Missão Psyche se aproximou do planeta vermelho durante sua trajetória rumo a asteroide localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter
Fotos: NASA/JPL-Caltech/ASU/True Story Films A Nasa divulgou um vídeo impressionante com imagens registradas pela sonda espacial Psyche durante seu sobrevoo por Marte, realizado em maio.
A manobra aproveitou a gravidade do planeta vermelho para aumentar a velocidade da espaçonave e ajustar levemente sua trajetória rumo ao asteroide Psyche, onde a missão deve chegar em agosto de 2029. Os cientistas responsáveis pela jornada puderam testar os instrumentos científicos da nave, que funcionaram como planejado e ofereceram algumas novas informações sobre Marte.
“Não prevíamos grandes descobertas, considerando o quanto o planeta já foi estudado, mas complementamos a ciência de Marte com os dados coletados por meio da perspectiva única da Psyche", conta em comunicado Lindy Elkins-Tanton, investigadora principal da missão Psyche na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/U/u/qNqv00QoC1Z2V6lcF1Ww/ed72614d-9cab-4e3d-9dc7-fa49f3ffc737.jpg)
Instrumentos testados no sobrevoo
Um dos instrumentos avaliados durante a manobra foi o espectrômetro de raios gama e nêutrons, que será usado para identificar os elementos químicos presentes na superfície do asteroide Psyche.
O equipamento faz isso ao medir a radiação emitida naturalmente pelos materiais, incluindo raios gama e nêutrons.
Durante o sobrevoo por Marte, porém, a espaçonave passou a cerca de 4.609 quilômetros de altitude — distância grande demais para detectar os raios gama emitidos pela superfície do planeta.
Ainda assim, quando a missão atingiu o ponto de maior aproximação, o espectrômetro registrou um aumento na taxa de contagem de nêutrons, conforme previsto pelos cientistas.
Outro instrumento utilizado pela Psyche, este desde o início da jornada da espaçonave, lançada em 2023, é um magnetômetro, capaz de medir o campo magnético do asteroide. O equipamento ajudará a missão a testar a hipótese de que o objeto seja o núcleo metálico de um planetesimal — um componente fundamental de um planeta rochoso.
“À medida que a espaçonave se aproximava de Marte, o magnetômetro detectou um aumento intenso no campo magnético correspondente à região de choque de proa, onde o vento solar colide com o campo magnético do planeta”, afirma Ben Weiss, investigador principal adjunto da missão Psyche. “Este esforço de calibração durante a passagem próxima validou o desempenho do instrumento em condições dinâmicas, ao mesmo tempo que revelou a fascinante física do magnetismo planetário."
Registros em vídeo
Durante a aproximação máxima, os imageadores da Psyche capturaram também imagens detalhadas da superfície de Marte, incluindo crateras eólicas, a calota polar sul e a grande cratera Huygens, com seus anéis duplos.
O vídeo em time-lapse a seguir mostra os registros:
Jim Bell, líder do instrumento de imagem Psyche na Universidade Estadual do Arizona, explica que as imagens, além de belas, permitiram aos pesquisadores testarem a calibração e sensibilidade à luz difusa, detectando as luas marcianas Fobos e Deimos a uma grande distância como parte de um treino para a busca por satélites que será aplicado futuramente em Psyche.
Agora, a equipe está comparando as imagens com dados de outras missões em Marte, como o Mars Reconnaissance Orbiter, o orbitador Mars Odyssey e os rovers Curiosity e Perseverance.
Já Psyche permanece em direção ao asteroide alvo, localizado no cinturão principal de asteroides entre Marte e Júpiter.
"Esta assistência gravitacional levou anos para ser planejada, e a equipe de navegação acertou em cheio — a Psyche sobrevoou Marte exatamente na trajetória necessária para nos colocar no caminho certo para o encontro com o asteroide no verão de 2029", comenta Bob Mase, gerente do projeto no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, no sul da Califórnia.
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