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Maringá,24/07/2026

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Canetas ajudam jovens a perder peso.

Revisão aponta eficácia de medicamentos contra obesidade em crianças e adolescentes

Juliana Contaifer/PortalEdsonValerio
Canetas ajudam jovens a perder peso. Imagem: Getty Images

Uma revisão de estudos apresentada no Congresso Internacional sobre Obesidade apontou que medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 podem auxiliar na redução de peso de crianças e adolescentes com obesidade e sem diabetes. A pesquisa reuniu nove estudos clínicos randomizados, com um total de 756 participantes entre 6 e 18 anos.
Apesar dessa faixa etária ampla, a média de idade ficou entre 14 e 15 anos.
Os trabalhos foram realizados nos Estados Unidos, Alemanha, Suécia, Áustria e por consórcios internacionais. Os pesquisadores analisaram estudos publicados até maio de 2025 envolvendo medicamentos à base de liraglutida, semaglutida e exenatida.
Perda média passou de cinco quilos
Na comparação com placebo ou tratamento convencional, os participantes que receberam os medicamentos apresentaram uma redução média de 5,08 quilos.
A semaglutida apresentou o efeito mais expressivo entre as substâncias avaliadas, embora tenha sido analisada em apenas um dos nove estudos incluídos na revisão. Também foram observadas reduções médias de 2,24 mmHg na pressão arterial sistólica e de 2,83 batimentos por minuto na frequência cardíaca, além de melhora nos indicadores relacionados à qualidade de vida. A análise considerou o peso corporal e o chamado escore de IMC, medida utilizada para comparar o desenvolvimento de crianças e adolescentes levando em conta idade e sexo.
Náusea foi o efeito mais frequente
A náusea foi o principal efeito adverso identificado e ocorreu com frequência aproximadamente três vezes maior entre os participantes que receberam os medicamentos do que no grupo placebo.
Vômitos e diarreia também foram registrados, mas não apresentaram aumento estatisticamente significativo. Eventos graves, como pancreatite, cálculos biliares e apendicite, foram raros e ocorreram em índices semelhantes aos observados nos grupos de comparação.
Os próprios autores ressaltam, porém, que a quantidade de pesquisas ainda é limitada.
Quatro dos estudos tinham entre 12 e 44 participantes, enquanto o tempo de acompanhamento variou de poucas semanas a pouco mais de um ano.
Por isso, são necessários levantamentos maiores e mais longos para avaliar a manutenção da perda de peso, os efeitos após a interrupção do tratamento e a segurança durante o crescimento e o desenvolvimento.
Nem toda caneta está autorizada para adolescentes
No Brasil, a indicação depende do medicamento, da idade, do peso e do diagnóstico.
O Wegovy, à base de semaglutida, é autorizado para adolescentes a partir de 12 anos com obesidade e peso acima de 60 quilos, sempre associado à alimentação com menor ingestão calórica e ao aumento da atividade física.
O Saxenda, que contém liraglutida, também pode ser utilizado a partir dos 12 anos em adolescentes com obesidade e peso acima de 60 quilos.
Já o Ozempic, embora também contenha semaglutida, possui outra indicação e não é recomendado para crianças e adolescentes menores de 18 anos, conforme a bula brasileira.
O tratamento da obesidade infantil deve ser definido individualmente por pediatra, endocrinologista ou equipe especializada. A utilização desses medicamentos exige prescrição, acompanhamento clínico e mudanças no estilo de vida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária alerta que o uso indevido das chamadas canetas emagrecedoras pode aumentar o risco de reações graves, incluindo pancreatite aguda.




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