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Maringá,18/07/2026

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Tratamento para psoríase e vitiligo avançando.

Isabella Almeida/ revista Nature/Correio Brasiliense
Tratamento para psoríase e vitiligo avançando. (crédito: NanoGeneSkin/divulgação)

Pesquisa utiliza nanotecnologia para combater psoríase e vitiligo com precisão.
Na prática, é como parar a transmissão da informação, antes que ela seja convertida em proteínas. Isso reduz a inflamação sem recorrer a medicamentos que agem em todo o organismo
Uma pesquisa de cientistas brasileiros pode revolucionar o tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo.
NanoGeneSkin Bentley's Lab | School of Pharmaceutical Sciences of Ribeirão  Preto – University of São Paulo
O grupo, vinculado ao laboratório NanoGeneSkin da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, está desenvolvendo nanopartículas capazes de transportar moléculas terapêuticas de RNA diretamente para células epiteliais.
Essas estruturas podem silenciar com precisão os genes responsáveis pela inflamação crônica.
Os avanços do trabalho foram apresentados recentemente na semana da Fapesp, em Londres.
“Iniciamos essa linha de pesquisa há duas décadas e, nesse período, acumulamos conhecimento na produção e caracterização de nanopartículas lipídicas capazes de transportar não apenas fármacos, mas também RNA de interferência — moléculas que atuam sobre genes específicos —, com a finalidade de tratar doenças crônicas da pele, como psoríase, câncer e vitiligo”, disse Maria Vitória Bentley, coordenadora do NanoGeneSkin, à Agência Fapesp.
A psoríase acomete aproximadamente 190 milhões de pessoas em todo o mundo, o equivalente a cerca de 2% a 3% da população global.
No Brasil, acredita-se haver cerca de cinco milhões de pessoas com a doença. De caráter crônico, genético e imunomediado, a condição acontece por conta de uma resposta exacerbada do sistema imunológico associada a fatores hereditários. Entre suas principais manifestações estão lesões inflamatórias graves na pele, provocadas pela produção excessiva de citocinas pró-inflamatórias.
Já o vitiligo é caracterizado pela destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que confere cor à pele. Como consequência, ocorre o surgimento progressivo de manchas esbranquiçadas em diferentes regiões do corpo.
Apesar das diferenças, as duas doenças apresentam um ponto em comum que as torna candidatas promissoras para terapias baseadas em RNA: a presença de genes com atividade anormal ou superexpressão, que impulsionam o desenvolvimento da doença. "Entendemos quais são os alvos e usamos um RNA complementar específico para silenciar a produção dessa citocina", frisa Bentley.
Silenciamento gênico
A estratégia desenvolvida pelo grupo utiliza pequenas moléculas sintéticas conhecidas como siRNAs, que agem diretamente sobre o RNA mensageiro encarregado da produção das citocinas inflamatórias.
Na prática, é como interromper a transmissão da informação antes que ela seja convertida em proteínas. Dessa forma, reduz-se a inflamação sem recorrer a medicamentos que atuam em todo o organismo.
Entretanto, fazer com que essas moléculas cheguem às células da pele representa um grande desafio.
O RNA possui baixa estabilidade química e é rapidamente degradado por enzimas presentes no organismo. Além disso, a própria pele funciona como uma barreira biológica altamente eficiente, dificultando a penetração dessas moléculas.
Para superar esse obstáculo, os pesquisadores desenvolveram nanopartículas de cristal líquido, compostas por lipídios organizados em uma estrutura interna ordenada, mas ao mesmo tempo flexível. Essa configuração permite encapsular o material genético, protegendo-o da degradação e favorecendo sua passagem pela pele até alcançar as células-alvo.
Em três frentes de pesquisa apresentadas por Bentley, a equipe demonstrou que essas nanopartículas são eficientes para promover o silenciamento gênico, aumentar a liberação de RNA no interior das células por meio de técnicas físicas, como a fotoativação com luz, e transportar simultaneamente diferentes RNAs e medicamentos anti-inflamatórios convencionais em uma única nanopartícula.
Os resultados foram confirmados tanto em modelos celulares, por meio de experimentos com células cultivadas em laboratório, quanto em estudos com animais que apresentavam lesões induzidas semelhantes às observadas nas doenças.
Doutora Natasha Crepaldi - Os cuidados com a pele | SapicuáSegundo Natasha Crepaldi, dermatologista e fundadora da Clínica Crepaldi, no Mato Grosso, a tecnologia apresenta perspectivas bastante promissoras. “Mesmo com tratamentos muito eficazes e avançados, ainda existem pacientes que enfrentam dificuldades relacionadas à adesão ao tratamento, à resposta limitada ou aos efeitos adversos. Com sistemas nanotecnológicos, existe a expectativa de uma entrega mais inteligente, alvo-específica, dos ativos terapêuticos, o que pode melhorar os resultados clínicos e proporcionar mais qualidade de vida. Embora ainda sejam necessários estudos e etapas regulatórias, os resultados iniciais geram bastante expectativa.”
Outras aplicações
Atualmente, novas pesquisas utilizam essa mesma plataforma para o tratamento do vitiligo, área em que o grupo já possui uma patente envolvendo RNA e nanopartículas, além da cicatrização de feridas crônicas, um problema de saúde que ainda carece de terapias plenamente eficazes.
Outra linha de investigação amplia o alcance da tecnologia para além das doenças dermatológicas. Os pesquisadores trabalham no desenvolvimento de uma nanoestrutura voltada à administração de mRNA, capaz de instruir as células a produzirem proteínas específicas. Essa abordagem poderá ser aplicada no desenvolvimento de vacinas, incluindo um imunizante experimental contra o câncer.
Palavra de especialista
MédicaO tratamento da psoríase evoluiu significativamente. Atualmente, dispomos de terapias tópicas, fototerapia, medicamentos sistêmicos convencionais e uma nova geração de imunobiológicos. Esses medicamentos atuam em alvos específicos do processo inflamatório, oferecendo taxas de controle cada vez maiores. Além disso, muitos desses tratamentos já estão disponíveis tanto na rede privada quanto em protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso para pacientes com formas mais graves da doença.
Paula Chicralla, dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia




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