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Maringá,18/07/2026

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Furinho no queijo é bom sinal ou é contaminação?

Diferente do que se pensa, em muitos tipos de queijo, eles são esperados e desejáveis

Raquel Pereira/Anvisa/PortalEdsonValerio
Furinho no queijo é bom sinal ou é contaminação? Foto: Reprodução/Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan)

O queijo é um item sempre presente nas mesas brasileiras. Tamanho sucesso está ligado à sua versatilidade no uso e também aos diferentes tipos produzidos no país.
Algumas dessas opções apresentam "furinhos", como são chamadas as olhaduras. Como, por exemplo, os queijos emmental, maasdam, gruyère, queijo prato bola e gouda.
O que faz surgir a dúvida: quando os furos não são desejáveis?
Como indica o médico patologista André Mario Doi, coordenador médico do setor de Biologia Molecular e Técnicas Especiais do Laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), olhaduras ou "furinhos" também podem indicar a presença de microrganismos. Portanto, a presença deles deve levantar suspeitas quando está em um tipo de queijo que normalmente não deveria apresentar muitos furos, como o branco.
Por que alguns queijos apresentam esses 'furos'?
Em primeiro lugar, é importante entender o que são as olhaduras desejáveis. Elas são cavidades formadas pela produção de gás durante a fermentação dos queijos já citados. Quando estão dentro desta definição, indicam um processo normal de maturação e contribuem para o sabor e a textura do produto.
Quando é coliforme fecal?
O Dr. André Mario Doi, explica quando a presença dos "furos" deve levantar suspeitas:
Estão presentes em tipo de queijo que normalmente não deveria apresentar muitos furos, como o branco;
São numerosos, irregulares e acompanhados de estufamento da embalagem; e
Se surgem associados a alterações de odor, sabor, textura ou coloração.
Essas alterações podem ocorrer devido ao crescimento de microrganismos indesejáveis, incluindo bactérias coliformes, que podem indicar falhas de higiene durante a produção ou contaminação pós-processamento.
Espécies do gênero Clostridium são responsáveis pelo chamado estufamento tardio, caracterizado por grandes cavidades, rachaduras e odor desagradável, como indica o patologista. Embora essa bactéria comprometa principalmente a qualidade do produto, outras espécies de Clostridium, como Clostridium botulinum, representam um risco à saúde em alimentos específicos, embora sua ocorrência em queijos maturados seja rara.
Leveduras e outros microrganismos fermentadores também podem causar formação anormal de gás.
— É importante destacar que a presença de furinhos isoladamente não permite afirmar que exista uma infecção ou contaminação perigosa.
A confirmação depende de avaliação microbiológica e das características do produto — aponta o médico patologista.

Rendas em queijos brancos não é um bom sinal
Queijos assim, são chamados pelos queijeiros mineiros de “queijo rendado”, porque a formação dos furinhos, lembra um tecido de renda e tem o visual e cheiro, nada agradável. Na foto acima, um exemplo claro de queijo fresco rendado. 
Queijo fresco, com menos de 7 dias, tem a massa bem lisa e densa, não tem furinhos em sua massa.
Nos  queijos meia cura e curados, com mais de 22 dias de maturação, a presença de olhaduras são normais, sendo parte do processo natural de maturação de certos tipos de queijos e ao longo de sua ação, aprimoram suas as características e sabor. 
É bom prestar atenção nessas diferenças, para não confundir.
Queijo fresco é o  queijo branco, bem mole, e não é para ter furinhos. Queijo meia cura ou curado, é o queijo duro, com casca grossa e com furinhos e de acordo com o tipo de queijo. Isso é normal e saudável. É a ação das bactérias benéficas no interior do queijo.
No queijo fresco os furinhos tipo renda é um mau sinal. Pode ser um forte indicador da presença de contaminação por bactérias, que não tem que estar no mundo dos queijos: os coliformes fecais e os estafilococos patogênicos. 

 Essas bactérias se alimentam da lactose, produzindo gases, como consequência disso, esse queijo começa a inchar, ficando muito estufado e leve (como podem ver na foto acima).
A ação desses microrganismos começa ainda na fôrma, já no segundo, terceiro ou quarto dia. Isso porque as bactérias que contaminaram o queijo, se alimentam de lactose, deixando vazios na massa do queijo.
Até para um leigo em queijos, dá para perceber ao mastigar o queijo.
Um queijo bom, curado, ao ser mastigado, dissolve na boca. Já o queijo rendado, com coliformes fecais, ao mastigá-lo, da a impressão de estar mastigando um plástico. Inclusive, percebe-se esse barulho característico de um plástico sendo mastigado na boca
O que fazer com o queijo com 'furinhos' indesejáveis?
Se houver suspeita de contaminação:
Não consuma o produto, principalmente se apresentar odor desagradável, embalagem estufada, mofo inesperado (em queijos que não são maturados por fungos), alteração importante de textura ou sabor.
Guarde a embalagem, se possível, para identificação do lote e entre em contato com o fabricante.
Caso o produto tenha sido adquirido recentemente, solicite a substituição ou o reembolso.
Se houver sintomas após o consumo — como diarreia, vômitos, febre ou dor abdominal — procure atendimento médico, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas.
No Brasil, a produção de queijos é fiscalizada por órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e os serviços estaduais e municipais de inspeção.
Além disso, muitas indústrias adotam o sistema APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) para identificar e prevenir riscos ao longo do processo produtivo.




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