A Copa do Mundo mais dramática para TV Globo
Emissora perdeu hegemonia no Mundial e viu audiência cair
Vini Rodrigues, Renata Silveira, Everaldo Marques, Rogério Corrêa, Paulo Andrade e Gustavo Villani, as vozes da Globo na Copa do Mundo (Estevam Avellar/TV Globo) A final da Copa do Mundo de 2026, neste domingo, 19, marca também o fim de um dos Mundiais mais dramáticos da história recente da Globo. Acostumada a dominar sozinha a cobertura do principal torneio esportivo do planeta, a emissora da família Marinho viu sua hegemonia ser colocada à prova por uma série de fatores, que inclui concorrência pulverizada, queda de audiência, repercussão negativa de algumas apostas editoriais e o novo hábito de consumo com a ascensão meteórica do streaming.
Os números ajudam a explicar esse cenário.
A eliminação do Brasil para a Noruega, nas oitavas de final, registrou apenas 30 pontos na Grande São Paulo, a menor audiência da Globo em um jogo da seleção nesta Copa e inferior até à da estreia da equipe comandada por Carlo Ancelotti.
Enquanto isso, o SBT, impulsionado pelo retorno de Galvão Bueno às transmissões de Mundiais, comemorou índices históricos, e a CazéTV consolidou sua força no ambiente digital ao exibir gratuitamente os 104 jogos da competição no YouTube.
Nos bastidores, a cobertura também acumulou problemas.
A participação de Virginia Fonseca no Domingão com Huck foi reduzida após a repercussão negativa de sua escalação. Já o Central da Copa virou alvo de críticas e motivo de chacota por quadros considerados excessivamente descontraídos, como a imitação da comemoração de Matheus Cunha simulando o surfe feita por Tadeu Schmidt, Fábio Porchat e Tamires Dias. O torneio ainda foi marcado por uma sequência de gafes que colocaram em xeque o tradicional "padrão Globo de qualidade" e por mudanças forçadas na equipe, com os afastamentos de Luís Roberto e Alex Escobar por problemas de saúde, este último após passar mal ao vivo já durante a cobertura.
Mesmo mantendo a liderança na TV aberta e uma estrutura de cobertura incomparável, a Globo encerra o torneio diante de um cenário em que a disputa já não é apenas contra outras emissoras, mas também contra plataformas digitais capazes de dividir a audiência e, principalmente, falar a mesma linguagem de um público que consome futebol bem diferente daquele que a televisão tradicional está acostumada.
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