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Maringá,11/07/2026

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STF bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto

PF aponta 21 emendas sob suspeita e Dino manda bloquear bens de presidente do PL

Estadão /PortalEdsonValerio
STF bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto Fotos: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no âmbito de uma investigação sobre o direcionamento de emendas parlamentares. A Polícia Federal aponta indícios de que Valdemar, apesar de não exercer mandato no Congresso, teria participado da definição e do remanejamento de recursos públicos ligados a pelo menos 21 emendas.
O bloqueio foi determinado até o limite de R$ 119.216.703,15. Dino também suspendeu a execução de despesas relacionadas às emendas investigadas. Segundo a PF, cerca de R$ 104 milhões do volume analisado já teriam sido efetivamente pagos.
A investigação ainda está em andamento e apura, em tese, possíveis crimes de peculato-desvio e associação criminosa.
PF APONTA ESTRUTURA PARA DIRECIONAR EMENDAS
As suspeitas surgiram durante os desdobramentos da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025.
A análise de aparelhos e documentos apreendidos revelou planilhas, mensagens e registros que, na avaliação dos investigadores, indicariam a existência de um sistema paralelo para definir o destino de emendas.
A PF sustenta que deputados apareciam formalmente como responsáveis pelas solicitações, enquanto parte das decisões sobre municípios e áreas beneficiadas teria sido tomada por Valdemar.
Ao analisar os elementos apresentados, Flávio Dino classificou como grave a possibilidade de uma pessoa sem mandato parlamentar exercer ingerência sobre o direcionamento do orçamento público.
PLANILHAS FAZIAM REFERÊNCIA A “VALDEMAR” E “VCN”
Parte da investigação está concentrada em planilhas e conversas encontradas pela Polícia Federal.
Segundo os investigadores, documentos utilizavam expressões como “do Valdemar” e “do VCN”, sigla que, no contexto das mensagens, seria uma referência a Valdemar Costa Neto.
Os registros estavam relacionados a valores e indicações para áreas como Saúde, Turismo e Esporte, principalmente em municípios de São Paulo.
Uma das servidoras citadas pela PF é Nara Benedetti Nicolau Brum, lotada na liderança do PL na Câmara. A investigação afirma que ela mantinha contato frequente com Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora do então presidente da Câmara Arthur Lira.
Conforme a PF, Nara encaminhava planilhas, tratava de limitações administrativas e solicitava alterações nos destinos e áreas das emendas. Outros servidores também são investigados por supostamente terem participado da operacionalização das indicações atribuídas a Valdemar.
DINO DETERMINA ENVIO DE DOCUMENTOS
Além do bloqueio de bens, a decisão determina providências relacionadas à tramitação das emendas sob suspeita. A Câmara dos Deputados deverá apresentar documentos referentes aos recursos investigados.
A Advocacia-Geral da União e a Controladoria-Geral da União também foram incluídas entre os órgãos que deverão adotar medidas relacionadas ao caso.
Para Dino, os elementos reunidos até esta fase indicam a necessidade de aprofundamento da investigação e de preservação de valores diante da possibilidade de prejuízo aos cofres públicos.
DEFESA DE VALDEMAR CONTESTA DECISÃO
A defesa de Valdemar Costa Neto afirmou ter recebido a decisão com surpresa.
Os advogados sustentam que a Procuradoria-Geral da República havia se manifestado contra as medidas cautelares e afirmam que a decisão utiliza premissas frágeis e inferências subjetivas.
Também rejeitam o que classificam como uma criminalização da atividade político-partidária.
Em outra manifestação sobre a suspeita de indicação de emendas, Valdemar negou irregularidade e afirmou que, em cidades pequenas sem representação em Brasília, o líder partidário atua nas articulações.
O bloqueio de bens é uma medida cautelar e não representa condenação definitiva.
A responsabilidade de Valdemar Costa Neto e dos demais investigados ainda será analisada no decorrer da investigação e de eventual processo judicial.





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