Pais usavam violência para 'disciplinar' filhos.
Menino de 3 anos foi morto pelo pai após não lhe dar 'bom dia'
Reprodução Redes Sociais. Investigações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) apontam que o missionário americano Dandre Jermaine Grayson e sua mulher, Mayanna Angelina Rodgers, agrediam os filhos com a intenção declarada de corrigi-los e discipliná-los.
Os dois foram presos nesta semana após o filho de 3 anos ser espancado por não dar "bom dia" ao pai.
A criança não resistiu aos ferimentos e morreu na quarta-feira.
Os agentes descobriram que os outros quatro filhos do casal — de idades entre 1 e 9 anos — também sofriam agressões frequentemente. A corporação indicou que os pais Dandre e Mayanna agiam com violência conforme "a cultura e a religião indicavam".
— Sob o argumento de que estariam disciplinando de forma rígida, porém correta, inúmeras agressões, de ordem física e psicológica, foram impostas às crianças — disse a delegada Luana Medeiros, em declarações reproduzidas pelo Metrópoles.
Eles estão no Brasil há nove anos, passando pelos estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Eles estavam havia cerca de sete meses em Viamão (RS) e se sustentavam com ajuda financeira da comunidade religiosa. Segundo a delegada Luana Medeiros, a investigação também apontou que a mãe das crianças praticava atos de violência contra os cinco filhos.
Em um dos registros, em São Paulo, a mãe, Mayanna foi acusada de agredir um dos filhos com uma cinta. Com isso, pai e mãe passaram a ser investigados por tentativa de homicídio, homicídio e tortura, em razão das lesões constatadas nas demais crianças.
A mãe foi presa preventivamente na tarde de quinta-feira (9).
Os quatro filhos foram submetidos a perícias física e psicológica e estão protegidos por medidas protetivas. Eles também foram acolhidos em um abrigo e são acompanhados pelo Conselho Tutelar.
Em nota nas redes sociais, a defesa de Mayanna afirmou que a cliente é vítima de violência doméstica e estava "em estado grave de vulnerabilidade".
"Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado", afirma a nota.
CONHEÇA O CASO
Oliver, de 3 anos, foi brutalmente espancada e morta pelo pai no último domingo (5), no município de Viamão. Segundo a Polícia Civil, o homem confessou as agressões e afirmou que bateu no filho porque ele não lhe deu "bom dia". O agressor foi preso em flagrante no Hospital de Viamão devido à gravidade dos ferimentos da criança.
O menino chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na tarde de quarta-feira (8).
De acordo com a investigação, ele sofreu lesões gravíssimas, que "chegaram a deslocar o coração de lugar", além de traumatismo craniano com achatamento do crânio. A polícia também constatou que a família possui um extenso histórico de violência, com registros em Santa Catarina e São Paulo, além de atendimentos pelos Conselhos Tutelares.O pai, que se apresenta como missionário de uma igreja evangélica, é natural dos Estados Unidos.
Histórico de violência
Registros anteriores apurados pela Polícia Civil mostram outro episódio de violência, ocorrido em 2024, na cidade de Águas de Lindóia, em São Paulo. Na ocasião, uma das crianças, então com 7 anos, teria sido agredida pela mãe com uma cinta, ficando com diversas marcas pelo corpo.
Segundo a família, as agressões faziam parte da forma como sua cultura e religião orientariam a disciplina dos filhos. Eles alegavam que estavam corrigindo as crianças "de forma rígida, porém correta", por meio de agressões físicas e psicológicas.
A Polícia Civil destaca que, embora a mãe seja apontada como autora da tortura contra a criança de 7 anos, não descarta a possibilidade de que ela também seja vítima de violência praticada pelo companheiro. As diligências continuam para esclarecer essa hipótese.
— Ao investigarmos o histórico dessa família, foi possível perceber que se trata de um caso muito complexo. De um lado, identificamos indícios de violência doméstica e familiar contra a mulher, praticada pelo pai. De outro, verificamos violências extremas, físicas e psicológicas, contra as crianças, praticadas por ele, com suspeita de que a mãe também tenha cometido esses atos ou, no mínimo, tenha sido omissa — afirmou a delegada Luana Medeiros.
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