MP denuncia vereadora por suposto desvio.
Ministério Público aponta esquema milionário envolvendo verbas da ADA Londrina
Reprodução Recursos que deveriam ser usados no cuidado de animais abandonados teriam sido desviados para despesas particulares, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná contra a vereadora Anne Moraes de Souza e uma irmã dela, em Londrina.
A denúncia, oferecida pela 26ª Promotoria de Justiça de Londrina, aponta crimes de peculato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.
O valor total do suposto desvio chega a R$ 1.617.629,13, de acordo com o MPPR.
O dinheiro, conforme a investigação, vinha de verbas públicas do Programa Nota Paraná e de doações feitas por particulares à Associação Defensora dos Animais de Londrina, a ADA Londrina.
MP aponta saques fracionados e tentativa de ocultar valores
A Promotoria sustenta que as denunciadas teriam usado uma estrutura financeira para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Segundo o Ministério Público, foram identificados 864 saques fracionados em espécie, feitos a partir da conta bancária de uma terceira irmã das denunciadas, que mora no exterior.
Para o MP, esse procedimento teria sido usado para ocultar a origem, a movimentação e o destino dos recursos retirados da entidade.
A investigação afirma que Anne Moraes, na condição de presidente e administradora da ADA Londrina, centralizava a gestão financeira da associação e teria se apropriado diretamente de valores para pagar despesas pessoais e familiares. Entre os gastos citados na apuração estão planos de saúde, compras em aplicativos e despesas em restaurantes.
Irmã também foi denunciada
A irmã da vereadora também foi denunciada. Segundo o Ministério Público, ela teria exercido funções consideradas de fachada dentro da entidade, deixando de cumprir atribuições administrativas e contribuindo para a dinâmica dos desvios. A denúncia afirma ainda que ela também teria sido beneficiada com recursos da associação.
Entidade chegou a abrigar cerca de mil animais
A Associação Defensora dos Animais de Londrina chegou a manter aproximadamente mil animais, entre cães, gatos. Após os problemas apontados pelo Ministério Público, a instituição passou a ser administrada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina, a CMTU, por determinação judicial.
Além da condenação criminal, o MPPR pede que as denunciadas sejam obrigadas a ressarcir, no mínimo, os R$ 1.617.629,13, com juros e correção monetária.
Segundo o promotor de Justiça Renato de Lima Castro, os fatos investigados envolvem aproximadamente 2.740 crimes. Caso seja condenada por todos, Anne Moraes pode receber pena de até 30 anos de prisão, conforme informou o promotor.
Vereadora responde a outra ação penal
Anne Moraes também responde a outro processo criminal, apresentado pela 20ª Promotoria de Justiça de Londrina. Nessa ação, ela foi denunciada por maus-tratos a animais, poluição ambiental por descarte irregular de carcaças e tráfico de drogas, relacionado à manutenção de substâncias entorpecentes e psicotrópicas sem indicação de uso. Esses fatos, segundo a denúncia, teriam ocorrido entre janeiro de 2019 e maio de 2025.
Próximos passos
A denúncia sobre o suposto desvio de recursos ainda será analisada pelo Poder Judiciário, que decidirá se recebe ou não a ação penal. As denunciadas terão direito de apresentar defesa ao longo do processo.
Até decisão final da Justiça, as acusações seguem em fase processual.
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