Homem confessou ter jogado a ex de penhasco.
A Polícia Civil notificou que Sivanildo Amâncio da Silva, que confessou ter jogado a ex-mulher de um penhasco, na Serra do Rola-Moça, em Minas Gerais, será processado por tentativa de feminicídio e pelo crime de estupro. De acordo com as autoridades, o homem teria obrigado Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza a praticar sexo oral nele, antes de arremessá-la.
A informação foi confirmada ao jornal O Tempo, pelo tenente-coronel Célio, responsável pelo 48º Batalhão, que atende Brumadinho. “Ele a ameaçou com o canivete e a levou à beira do penhasco. Lá, ele a obrigou a praticar o sexo oral antes de agredi-la”, revelou o militar.
Até o momento, o suspeito não tinha relatado essa versão, ao ser preso em Várzea da Palma, no Norte de Minas. De acordo com o relato da vítima à polícia, ela foi ameaçada com um canivete enquanto estava no carro do ex-companheiro e questionava, a todo tempo, se ele iria matá-la.

Em nota, a Polícia Civil confirmou que o homem foi ouvido e processado em flagrante delito, a princípio, pelos crimes de estupro e feminicídio tentado. “Após todos os procedimentos de polícia judiciária, o investigado foi encaminhado ao sistema prisional, onde segue à disposição da Justiça para as medidas legais cabíveis. A investigação prossegue com a Delegacia de Polícia Civil em Brumadinho para a completa elucidação do caso. Cumpre salientar que, no dia 21 de maio, a PCMG encaminhou, para análise e deferimento do Poder Judiciário, requerimento de medidas protetivas de urgência solicitadas pela vítima”, informou.
A tentativa de feminicídio
Poucos dias antes do crime, neste ano, a vítima tinha solicitado uma medida protetiva contra o ex. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil de Minas Gerais, o pedido foi encaminhado à Justiça em 21 de maio e aceito no mesmo dia. Silvanildo foi comunicado oficialmente da decisão por WhatsApp.
Mesmo com a medida em vigor, Ana Cláudia foi sequestrada e jogada de uma altura de cerca de 50 metros na última segunda-feira (25). Ela passou mais de 24 horas desaparecida até ser encontrada viva, agarrada à vegetação em uma área de difícil acesso.
Conforme as investigações, Ana Cláudia seguia para o trabalho na manhã de segunda-feira, após deixar a filha na escola, quando foi interceptada pelo ex-companheiro. De acordo com o boletim de ocorrência, ela conseguiu avisar familiares de que estava sendo seguida, mas o contato foi interrompido logo depois.
Após o desaparecimento, equipes da Polícia Militar de Minas Gerais, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e do SAMU iniciaram uma força-tarefa na região da Serra do Rola-Moça, utilizando drones, sensores térmicos e uma aeronave Arcanjo.
Veja:
Ana Cláudia foi localizada consciente, com ferimentos leves e muito debilitada por causa do frio e do tempo em que permaneceu no local. Segundo o tenente Geraldo Silveira, copiloto do Corpo de Bombeiros, ela estava extremamente cansada após passar a madrugada na mata.
Apreensão do suspeito
Silvanildo foi preso em Várzea da Palma, no Norte de Minas Gerais. Em vídeos, ele aparece confessando o crime aos policiais. “Levei ela para o Jardim Canadá. Joguei no penhasco”, declarou.
O suspeito também admitiu ter usado um canivete para ameaçar a vítima e afirmou que tentou descer até o local após a queda, mas não conseguiu encontrá-la. Em outro momento, ele revelou acreditar que só foi preso porque acabou sendo rastreado pelo celular.
Assista:
Durante as investigações, a polícia também recuperou áudios enviados por Silvanildo à filha de 9 anos, nos quais ele negava ter feito qualquer mal à ex-companheira. “Se alguém falar pra você que papai fez alguma coisa contra sua mãe, é mentira”, dizia ele na gravação.
Escute:
Segundo a filha mais velha da vítima, Ana Cláudia e Silvanildo estavam separados desde fevereiro deste ano. O portal também confirmou que o homem já havia tido passagem pela polícia, por ameaça e violência doméstica, em denúncia feita pela própria Ana Cláudia, em um caso registrado em 2020.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi chamada em 18 de outubro daquele ano, após relatos de ameaças no apartamento onde o casal morava. Na ocasião, a vítima contou aos agentes que sofria agressões e intimidações frequentes por parte do companheiro.
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