Polícia investiga sumiço de corpos e túmulos em Arapongas
Pelo menos oito famílias denunciam troca de jazigos no Cemitério Municipal
Reprodução A Polícia Civil de Arapongas instaurou um inquérito policial e começou a coleta de depoimentos para investigar denúncias de desaparecimento de restos mortais e troca de jazigos no Cemitério Municipal da cidade.
Oito famílias relataram ter sido lesadas por situações semelhantes envolvendo o sumiço de túmulos e corpos de parentes sepultados.
Um dos casos sob investigação envolve a família de Guilherme Campos. O jazigo de seu tio-avô, sepultado em 2022, desapareceu do local original menos de 60 dias após o sepultamento, sendo substituído pelo túmulo de outra família.
O corpo ainda não foi localizado pela administração do cemitério, e os familiares apontam que o sistema interno da instituição apresenta nomes duplicados para o mesmo lote. Outro relato grave aponta o sumiço do túmulo de uma bebê, também sepultada em 2022. A família só descobriu a mudança quatro anos depois, durante o sepultamento de outra filha; após buscas no local, o corpo da criança foi encontrado em um ponto diferente do cemitério.
Em resposta aos acontecimentos, a Prefeitura de Arapongas justificou que as inconsistências e os problemas relatados podem estar associados a um processo de recadastramento de túmulos iniciado no município em 2018. Paralelamente às investigações da Polícia Civil, a administração municipal abriu uma sindicância interna para apurar possíveis irregularidades administrativas cometidas por servidores ou prestadores de serviço.
A defesa das famílias protocolou uma notícia-crime reunindo os diferentes boletins de ocorrência para centralizar o caso. O objetivo dos depoimentos e das perícias é determinar se o sumiço e a realocação dos corpos decorreram de falhas operacionais no cadastramento dos lotes ou se configuram práticas criminosas. O prefeito de Arapongas, Rafael Cita afirmou que determinou a abertura de um procedimento formal para apurar o caso com urgência.
“Determinei a abertura em procedimento formal para que as pessoas envolvidas no caso sejam ouvidas, para que a gente chegue a uma conclusão e solução. E, considerando que o fato remonta a 2022, pedi máxima urgência para o secretário responsável pela pasta para que apure isso e dê uma solução definitiva para essa família”. Enquanto os procedimentos legais avançam, os familiares cobram respostas definitivas sobre a localização exata dos restos mortais de seus parentes.
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